Ministério da Saúde orienta integração de novas tecnologias no combate ao Aedes e reforça papel dos ACE no controle vetorial
Nota Técnica apresenta estratégias para controle do Aedes aegypti e Aedes albopictus e reforça a importância do trabalho dos Agentes de Combate às Endemias
O Ministério da Saúde publicou a Nota Técnica nº 41/2026-CGARB/DEDT/SVSA/MS, com orientações para a implementação integrada das tecnologias de controle do Aedes aegypti e Aedes albopictus, conforme as Diretrizes Nacionais para Prevenção e Controle das Arboviroses Urbanas.
O documento propõe um modelo de controle vetorial baseado nas características de cada território, combinando vigilância entomológica, manejo ambiental, educação em saúde, ações fundamentais e tecnologias inovadoras. A Nota Técnica foi publicada pelo Ministério da Saúde em 29 de setembro de 2026.
A orientação parte de um princípio importante: nenhuma intervenção isolada é suficiente para controlar o mosquito. Por isso, diferentes estratégias podem ser combinadas de acordo com o risco epidemiológico e as características de cada localidade.
Controle do Aedes deve combinar diferentes estratégias
Segundo a Nota Técnica, as novas Diretrizes Nacionais reconhecem que os territórios são diferentes e, por isso, as ações precisam ser planejadas de acordo com a realidade de cada município e de cada área.
A estratificação de risco, associada ao monitoramento realizado por meio de ovitrampas, pode ajudar a identificar áreas prioritárias dentro dos municípios e direcionar as ações de vigilância e controle.
A proposta é utilizar informações sobre o território para definir onde determinadas intervenções devem ser implementadas ou intensificadas.
O documento destaca ainda que a introdução de novas tecnologias deve considerar a sinergia e a compatibilidade entre as ferramentas, evitando que uma estratégia interfira negativamente em outra.
Ministério da Saúde apresenta 10 estratégias de controle vetorial
A Nota Técnica divide as intervenções em ações fundamentais e tecnologias inovadoras.
1. Controle mecânico
O controle mecânico envolve medidas destinadas a eliminar ou impedir a formação de criadouros do mosquito.
Entre os exemplos estão a retirada de recipientes que acumulam água, a lavagem e vedação de caixas-d'água e a destinação adequada dos resíduos.
O Ministério da Saúde destaca essa medida como uma das ações mais importantes para interromper o ciclo do vetor.
2. Uso de larvicidas
Os larvicidas são utilizados em depósitos com água que não podem ser eliminados ou vedados.
A aplicação deve seguir os critérios técnicos e as orientações estabelecidas pelo Ministério da Saúde.
3. Inseticida residual em pontos estratégicos
Outra estratégia é a aplicação de inseticida residual em pontos estratégicos, como cemitérios, borracharias, ferros-velhos, depósitos de sucata, depósitos de materiais de construção e garagens de veículos de grande porte.
O objetivo é manter o efeito do produto por mais tempo nas superfícies onde os mosquitos costumam pousar, contribuindo para reduzir a população adulta nesses locais.
4. Nebulização espacial com UBV
A nebulização espacial por Ultra-Baixo-Volume (UBV) utiliza inseticida na forma de uma névoa fina para eliminar mosquitos adultos em circulação.
Segundo a Nota Técnica, essa ação é utilizada principalmente em situações de transmissão ativa ou surtos de arboviroses, como medida complementar de bloqueio e resposta rápida.
Tecnologias inovadoras ganham espaço no controle vetorial
Além das ações tradicionais, o Ministério da Saúde apresenta tecnologias consideradas inovadoras para o controle do Aedes aegypti e do Aedes albopictus.
Ovitrampas
As ovitrampas são armadilhas utilizadas para atrair fêmeas do mosquito para a postura de ovos.
A presença dos ovos permite avaliar indiretamente a população do vetor, identificando fêmeas reprodutivamente ativas no ambiente.
Estratificação de risco
A estratificação de risco permite identificar áreas prioritárias, também chamadas de hotspots, utilizando informações epidemiológicas.
A partir dessa análise, determinadas áreas podem receber ações intensificadas de vigilância e controle.
BRI-Aedes
A Borrifação Residual Intradomiciliar para o Aedes (BRI-Aedes) consiste na aplicação de inseticida residual no interior de imóveis especiais.
Entre os locais citados estão escolas, unidades de saúde, rodoviárias, universidades e outros espaços com grande circulação ou permanência de pessoas.
A aplicação cria uma barreira química nas superfícies internas, eliminando mosquitos que pousarem nesses locais e também atuando como repelente.
Estações Disseminadoras de Larvicida
As Estações Disseminadoras de Larvicida (EDL) atraem fêmeas do Aedes.
Ao entrar em contato com a estação, o mosquito pode carregar micropartículas de larvicida para outros criadouros, contribuindo para reduzir o desenvolvimento das larvas em diferentes pontos do território.
Wolbachia
Outra estratégia é a liberação de mosquitos Aedes aegypti infectados com Wolbachia.
Segundo a Nota Técnica, a bactéria reduz a capacidade do mosquito de transmitir dengue, Zika e chikungunya.
Com o tempo, os mosquitos infectados podem substituir a população local, ampliando a proteção no território.
Técnica do Inseto Estéril por Irradiação
A Técnica do Inseto Estéril por Irradiação (TIE) utiliza mosquitos machos de Aedes aegypti esterilizados por irradiação.
Quando esses machos cruzam com fêmeas selvagens, não são gerados descendentes viáveis, contribuindo para a redução da população do mosquito ao longo do tempo.
Controle mecânico continua sendo essencial
Um dos pontos de maior importância para os Agentes de Combate às Endemias é que a utilização de novas tecnologias não significa abandonar as ações tradicionais.
A Nota Técnica estabelece que o controle mecânico e o tratamento focal com larvicida não devem ser interrompidos quando determinada área também receber tecnologias como EDL, Wolbachia ou mosquitos irradiados.
O documento reforça que o controle ou manejo ambiental é reconhecido como a principal forma de prevenção das arboviroses e que seu planejamento deve envolver também o setor de limpeza urbana dos municípios.
A orientação é começar pelas áreas de maior risco e, posteriormente, ampliar as ações para outras localidades.
Trabalho do ACE ganha importância com o monitoramento do território
A Nota Técnica prevê uma utilização mais direcionada das ações de campo a partir das informações produzidas pela vigilância entomológica.
O monitoramento por ovitrampas, por exemplo, pode orientar as visitas domiciliares em áreas que não sejam classificadas como hotspots, considerando a positividade encontrada e a presença do vetor.
Nesse modelo, o Agente de Combate às Endemias passa a atuar dentro de um planejamento que busca direcionar as ações para locais onde os indicadores apontam maior necessidade de intervenção.
Isso não significa substituir a visita domiciliar ou o controle mecânico por tecnologia. Pelo contrário: a proposta é integrar as diferentes ferramentas para tornar as ações mais direcionadas e eficientes.
EDL, Wolbachia e TIE precisam ser planejadas em conjunto
A combinação das tecnologias exige atenção para evitar que uma intervenção prejudique a outra.
A Nota Técnica recomenda, por exemplo, que as EDLs não sejam instaladas nos mesmos imóveis onde houver ovitrampas, evitando competição pela atração das fêmeas de Aedes.
Em áreas que receberão Wolbachia ou mosquitos irradiados, as EDLs podem ser utilizadas previamente para ajudar a reduzir a população de mosquitos selvagens.
Durante o período de liberação de mosquitos com Wolbachia ou de mosquitos irradiados, porém, recomenda-se que as EDLs sejam desativadas ou remanejadas para outras áreas prioritárias, evitando a captura dos mosquitos liberados.
Nebulização pode exigir suspensão temporária de algumas estratégias
A Nota Técnica também estabelece cuidados específicos quando há necessidade de realizar bloqueio de transmissão com UBV.
Nas áreas em que estiver ocorrendo liberação de mosquitos com Wolbachia, essa liberação deve ser suspensa quando houver necessidade de nebulização espacial para bloqueio da transmissão.
A mesma recomendação vale para a Técnica do Inseto Estéril por Irradiação.
Segundo o documento, aplicações intensivas ou indiscriminadas de inseticidas podem reduzir a sobrevivência dos mosquitos liberados. Por isso, as liberações devem ser retomadas após a conclusão dos ciclos de bloqueio.
Nas áreas em que a intervenção com Wolbachia ou TIE já foi concluída, as ações de bloqueio com UBV, quando recomendadas, devem ocorrer normalmente.
Planejamento deve considerar a realidade de cada município
O Ministério da Saúde orienta que não existe uma combinação única de tecnologias válida para todos os territórios.
O planejamento deve considerar fatores como:
- risco epidemiológico;
- densidade do vetor;
- condições climáticas;
- infraestrutura urbana;
- características sociodemográficas;
- disponibilidade de recursos humanos;
- disponibilidade de materiais;
- capacidade operacional das equipes.
Também devem ser considerados o tempo necessário para mobilização social, capacitação das equipes, execução das atividades de campo e monitoramento dos resultados.
A Nota Técnica ressalta ainda que as tecnologias inovadoras não produzem necessariamente respostas imediatas e não substituem as ações fundamentais.
Educação em saúde também faz parte do controle do mosquito
A participação da população aparece como outro componente importante da estratégia.
De acordo com a Nota Técnica, a educação em saúde deve estar integrada às ações fundamentais e às tecnologias inovadoras.
A participação da comunidade é apontada como necessária para tornar as estratégias sustentáveis ao longo do tempo e contribuir para a redução das populações de Aedes aegypti e Aedes albopictus.
O objetivo final é reduzir a ocorrência de dengue, chikungunya e Zika, principais arboviroses transmitidas por esses vetores.
O que a Nota Técnica representa para os Agentes de Combate às Endemias
Para os ACE, o novo modelo reforça a importância do conhecimento do território, da vigilância entomológica, do planejamento das visitas e da integração entre as diferentes estratégias de controle.
O profissional continua tendo papel fundamental nas ações de campo, especialmente no controle mecânico, tratamento focal, identificação de criadouros, orientação da população e acompanhamento das condições do território.
Ao mesmo tempo, novas ferramentas podem ser incorporadas ao planejamento municipal, fazendo com que o trabalho seja cada vez mais orientado por informações sobre risco, presença do vetor e características locais.
A proposta apresentada pelo Ministério da Saúde não coloca a tecnologia no lugar do agente. Ela propõe a integração das tecnologias com as ações realizadas pelas equipes de controle vetorial.
Novas tecnologias não substituem o trabalho de campo
A principal mensagem da Nota Técnica é que o combate às arboviroses depende da combinação de estratégias.
Wolbachia, EDL, BRI-Aedes, TIE e ovitrampas passam a integrar um conjunto que também inclui controle mecânico, larvicidas, inseticidas residuais, UBV e educação em saúde.
O resultado esperado depende de planejamento, conhecimento do território, capacitação das equipes, participação da população e avaliação permanente das ações.
Nesse cenário, o Agente de Combate às Endemias permanece como profissional essencial para transformar as estratégias de controle vetorial em ações concretas no território.
Perguntas sobre as novas tecnologias contra o Aedes
O que é a Nota Técnica nº 41/2026?
É um documento do Ministério da Saúde que apresenta orientações para a implementação integrada das tecnologias de controle do Aedes aegypti e Aedes albopictus, conforme as Diretrizes Nacionais para Prevenção e Controle das Arboviroses Urbanas.
Quais são as principais tecnologias inovadoras citadas?
A Nota Técnica apresenta ovitrampas, estratificação de risco, BRI-Aedes, Estações Disseminadoras de Larvicida, liberação de mosquitos com Wolbachia e Técnica do Inseto Estéril por Irradiação.
As novas tecnologias substituem o trabalho dos ACE?
Não. A Nota Técnica estabelece que as tecnologias inovadoras não substituem as ações fundamentais. O documento prevê a integração das diferentes estratégias de controle vetorial.
O controle mecânico deve continuar sendo realizado?
Sim. O documento reforça que o controle mecânico deve continuar sendo realizado e que o tratamento focal com larvicida também não deve ser interrompido simplesmente porque uma área recebeu uma tecnologia adicional.
As EDL podem ser instaladas junto com ovitrampas?
A recomendação é que as EDLs não sejam instaladas nos mesmos imóveis onde houver ovitrampas, para evitar competição entre as armadilhas pela atração das fêmeas de Aedes.
A Wolbachia pode ser utilizada junto com UBV?
Quando houver necessidade de bloqueio de transmissão com UBV, a Nota Técnica recomenda suspender as liberações de mosquitos com Wolbachia durante a intervenção. As liberações devem ser retomadas após a conclusão dos ciclos de bloqueio.
O que é a TIE?
A Técnica do Inseto Estéril por Irradiação utiliza mosquitos machos esterilizados por irradiação. O cruzamento com fêmeas selvagens não produz descendentes viáveis, contribuindo para reduzir a população do mosquito.
Qual é o objetivo final dessas estratégias?
O objetivo é reduzir as populações de Aedes aegypti e Aedes albopictus e, consequentemente, contribuir para a redução de casos de dengue, chikungunya e Zika.
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Por : www.acsace.com.br Fonte: Nota Técnica nº 41/2026-CGARB/DEDT/SVSA/MS
