PEC 14/2021: Aposentadoria Diferenciada para Agentes de Saúde e Agentes de Combate às Endemias na Reta Final

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O Plenário do Senado Federal iniciou a discussão da PEC 14/2021, proposta que altera os artigos 40, 198 e 201 da Constituição Federal para criar regras específicas de aposentadoria diferenciada para Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Combate às Endemias (ACE), além de determinar a regularização do vínculo funcional da categoria.

A matéria tramita com base no Parecer nº 44/2026 da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), de relatoria do senador Irajá (PSD-TO), que se manifestou favoravelmente à aprovação da PEC 14/2021 e pela rejeição da Emenda nº 2.

Por se tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), o texto segue um rito legislativo especial e ainda precisará cumprir diversas etapas antes da promulgação.

O que prevê a PEC 14/2021?

A proposta estabelece regras permanentes para a aposentadoria dos Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Combate às Endemias, reconhecendo as particularidades e os riscos da atividade exercida diariamente junto à população.

Pelo texto aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), os profissionais terão direito à aposentadoria com:

  • 57 anos de idade para mulheres;
  • 60 anos de idade para homens;
  • 25 anos de contribuição;
  • 25 anos de efetivo exercício na atividade de ACS ou ACE.

Além disso, a PEC cria regras de transição para atender os profissionais que já ingressaram na carreira antes da promulgação da futura emenda constitucional.

PEC também garante estabilidade aos ACS e ACE

Outro ponto importante da proposta é a regulamentação do vínculo funcional dos profissionais.

A PEC 14/2021 determina que os Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Combate às Endemias tenham estabilidade, vedando a contratação temporária ou terceirizada para o exercício permanente dessas funções.

A contratação temporária somente poderá ocorrer em situações excepcionais, como emergências em saúde pública.

A medida busca fortalecer a carreira e garantir maior segurança jurídica para os profissionais que atuam diretamente na prevenção de doenças e na promoção da saúde.

Relator destaca atuação durante a pandemia

Relator da proposta, o senador Irajá (PSD-TO) ressaltou a importância do trabalho desempenhado pelos agentes em todo o país, especialmente durante a pandemia da Covid-19.

Segundo o parlamentar:

"Se não fosse a atuação dos nossos agentes de saúde, nós teríamos ultrapassado a casa de milhões de brasileiros que teriam morrido naquela tragédia, sem contar o trabalho diuturno que os agentes fazem, da saúde preventiva nas famílias: as visitas às casas, diuturnas, na zona rural e na zona urbana, nos rincões do Brasil; o combate a endemias, como a cólera e a dengue, que assolam as famílias brasileiras."

O senador defendeu que a aposentadoria diferenciada representa um reconhecimento pelo serviço essencial prestado pelos ACS e ACE à população brasileira.

União deverá compensar estados e municípios

Outro ponto previsto na PEC 14/2021 é o financiamento das novas regras previdenciárias.

O texto estabelece que a União prestará assistência financeira complementar aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios, com o objetivo de compensar o aumento das despesas decorrentes das aposentadorias concedidas pelas novas regras.

A medida busca evitar impactos financeiros sobre os entes federativos responsáveis pela gestão dos profissionais.

Segunda sessão de discussão já está marcada

Após a realização da primeira sessão de discussão, ocorrida em Plenário, a segunda sessão de discussão em primeiro turno já consta na agenda oficial do Senado Federal para o dia 7 de julho.

O calendário confirma que a PEC segue o rito constitucional tradicional definido pela Presidência da Casa.

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Como será a tramitação da PEC 14/2021?

Inicialmente, o senador Irajá propôs um calendário especial que permitiria concluir a votação em um prazo menor.

Entretanto, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, decidiu manter o rito previsto na Constituição.

Assim, a proposta deverá cumprir:

  • Cinco sessões de discussão em primeiro turno;
  • Votação em primeiro turno;
  • Três sessões de discussão em segundo turno;
  • Votação em segundo turno;
  • Promulgação da Emenda Constitucional, caso seja aprovada.

Qual pode ser o calendário da PEC 14/2021?

Considerando o rito tradicional explicado pelo presidente do Senado e a agenda já divulgada para a segunda sessão, o cronograma mais provável, caso não ocorram alterações na pauta, é o seguinte:

EtapaData provável
1ª sessão de discussão (1º turno)30 de junho (realizada)
2ª sessão de discussão (1º turno)7 de julho (confirmada)
3ª sessão de discussão (1º turno)8 de julho
4ª sessão de discussão (1º turno)9 de julho
5ª sessão de discussão (1º turno)14 de julho
Votação em 1º turno14 ou 15 de julho
1ª sessão de discussão (2º turno)15 de julho (caso seja aprovado o calendário especial para suprimir parte do interstício)
2ª sessão de discussão (2º turno)15 de julho
3ª sessão de discussão (2º turno)15 de julho
Votação em 2º turno15 de julho
PromulgaçãoA promulgação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) ocorre em até cinco dias úteis após a sua aprovação final no Congresso Nacional.

Esse cronograma está em sintonia com a declaração do presidente Davi Alcolumbre, que afirmou que pretende concluir toda a tramitação da PEC 14/2021 até o dia 15 de julho, antes do início do recesso parlamentar previsto para 18 de julho.

A importância da PEC para os Agentes de Saúde

Além de instituir uma aposentadoria especial, a proposta fortalece a carreira, garante maior segurança jurídica, assegura financiamento da União para estados e municípios e reconhece oficialmente a relevância desses profissionais para a Atenção Primária à Saúde.


Por: www.acsace.com.br