Brasil pode ter 6 ondas de calor até dezembro de 2026
Cemaden aponta possibilidade de pelo menos seis ondas de calor entre setembro e dezembro; El Niño forte pode aumentar os extremos
O Brasil pode enfrentar pelo menos seis ondas de calor entre setembro e dezembro de 2026, segundo análise baseada em dados históricos do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
A estimativa considera quase cinco décadas de registros de temperatura e o comportamento observado durante períodos de El Niño. A quantidade de episódios, porém, pode variar conforme a evolução das condições atmosféricas e oceânicas nos próximos meses.
O cenário preocupa porque os eventos de calor extremo podem ocorrer de maneira mais frequente e atingir áreas maiores do território brasileiro.
Além das temperaturas elevadas, a combinação de calor, tempo seco e pouca chuva pode aumentar o risco de incêndios, intensificar a estiagem e provocar impactos na agricultura e nos preços dos alimentos.
Quantas ondas de calor o Brasil pode enfrentar até dezembro?
A análise do Cemaden aponta pelo menos seis possíveis ondas de calor entre setembro e dezembro de 2026.
O número é uma estimativa baseada no comportamento histórico das temperaturas e não significa que seis eventos necessariamente ocorrerão ou que terão a mesma intensidade.
Segundo a análise, a média histórica durante os períodos considerados é de aproximadamente quatro episódios de calor. Em um dos últimos eventos de El Niño, entretanto, foram observadas nove ondas de calor.
Como o Cemaden chegou a essa estimativa?
A avaliação foi elaborada a partir de 47 anos de registros de temperatura, com atenção especial ao comportamento das ondas de calor durante períodos influenciados pelo El Niño.
A pesquisadora Mabel Calim Costa, doutora em Ciências do Sistema Terrestre e especialista em ondas de calor no Cemaden, destaca que a frequência desses eventos pode mudar significativamente de um período climático para outro.
Por isso, a projeção deve ser interpretada como uma indicação de risco e tendência, e não como uma previsão exata de datas.
O que é uma onda de calor?
Uma onda de calor é um período prolongado de temperaturas excepcionalmente elevadas em determinada região.
O fenômeno não corresponde simplesmente a um dia muito quente. Para ser caracterizado como onda de calor, é necessário que as temperaturas permaneçam excepcionalmente acima dos padrões esperados durante vários dias consecutivos.
Os eventos também podem envolver temperaturas mínimas elevadas, reduzindo o período de recuperação térmica durante a noite.
Por que as ondas de calor estão ficando mais abrangentes?
As ondas de calor passaram a apresentar mudanças tanto na frequência quanto na extensão territorial.
Nas décadas de 1980 e 1990, esses episódios eram menos frequentes e geralmente ficavam concentrados em determinadas regiões.
A partir da década de 2010, os pesquisadores observaram eventos mais numerosos e extensos. Depois de 2020, episódios de calor extremo passaram, em alguns casos, a alcançar áreas muito maiores do país.
Esse comportamento aumenta a exposição de populações e regiões que nem sempre estão preparadas para períodos prolongados de temperaturas elevadas.
Setembro de 2026 pode ter temperaturas acima da média?
Sim. As projeções indicam temperaturas acima da média em grande parte do Brasil durante setembro, embora isso não permita determinar antecipadamente quando ocorrerá uma onda de calor específica.
Em algumas áreas, as temperaturas podem ficar até 3°C acima do padrão.
Um dos fatores associados ao cenário é a atuação de sistemas de alta pressão que podem permanecer estacionados por vários dias.
Como o bloqueio atmosférico aumenta o calor?
Sistemas persistentes de alta pressão podem dificultar a formação de nuvens e a chegada de chuva.
Com menos nebulosidade e precipitação, a superfície aquece mais durante o dia e o ar permanece mais seco. Isso favorece a manutenção das massas de ar quente.
A redução da umidade do solo também pode contribuir para um ciclo de seca e calor, principalmente em regiões que já apresentam déficit de chuva.
Um Super El Niño pode aumentar o calor extremo?
Um El Niño forte pode contribuir para alterações importantes nos padrões de temperatura e chuva, mas seus efeitos variam de acordo com a região brasileira.
O fenômeno ocorre quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais quentes que o normal, alterando a circulação atmosférica e influenciando o clima em diferentes partes do planeta.
No Brasil, o El Niño pode favorecer condições mais secas e quentes em algumas áreas e aumentar a ocorrência de chuva em outras.
Além do fenômeno climático, o aquecimento global também contribui para a ocorrência de temperaturas extremas. Com uma temperatura média global mais elevada, os eventos de calor podem começar a partir de uma base térmica mais alta.
Quais regiões podem sofrer mais com o calor e a seca?
As áreas mais vulneráveis são aquelas que combinam temperaturas elevadas, baixa umidade do solo e pouca chuva.
A região localizada entre a Amazônia e o Pantanal aparece entre as áreas de atenção devido à combinação de condições climáticas favoráveis à propagação de incêndios.
Entretanto, o risco não está restrito a uma única região. Os efeitos das ondas de calor podem atingir diferentes partes do país simultaneamente.
A seca pode aumentar o risco de incêndios?
Sim. Calor prolongado e baixa umidade aumentam a vulnerabilidade da vegetação ao fogo.
Quando há pouca chuva, o solo perde umidade e a vegetação fica mais seca. Nessas condições, uma fonte de ignição pode provocar uma propagação mais rápida das chamas.
Dados do Índice Integrado de Seca, elaborado pelo Cemaden, indicam que 157 municípios brasileiros já enfrentam situação de seca severa.
O Tocantins concentra 50 desses municípios, seguido pela Bahia, com 18.
Quantos municípios estão sob alto risco de fogo?
Levantamento que reúne informações do CPTEC/INPE, Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e Funceme aponta 560 municípios em nível alto de risco de fogo.
As áreas envolvidas correspondem a mais de 3 milhões de quilômetros quadrados, aproximadamente 35% do território brasileiro.
O governo está se preparando para uma temporada de queimadas?
Sim. O governo federal mantém medidas de preparação e resposta para os possíveis impactos das condições climáticas.
Desde maio, um gabinete de crise acompanha possíveis efeitos relacionados ao El Niño.
Mais de 4,6 mil brigadistas federais foram mobilizados para reforçar ações de prevenção e combate aos incêndios.
Como está a situação do desmatamento na Amazônia?
Apesar da preocupação com incêndios e seca, há um dado positivo relacionado ao desmatamento.
No primeiro semestre de 2026, a Amazônia registrou a menor área com sinais de desmatamento detectados por satélite em uma década, de acordo com informações do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Isso não elimina o risco de incêndios, já que condições de calor e baixa umidade podem favorecer a propagação do fogo em áreas de vegetação seca.
O calor extremo pode aumentar o preço dos alimentos?
Sim. Ondas de calor, secas e chuvas excessivas podem afetar a produção agrícola e pressionar os preços dos alimentos.
A produção de determinadas culturas pode ser prejudicada quando temperaturas extremas ou falta de água reduzem a produtividade.
Produtos in natura, como carnes e hortaliças, estão entre os itens que podem sofrer impactos relevantes diante de choques climáticos.
Em um cenário de El Niño forte, um estudo citado na análise estima que os preços dessa categoria poderiam avançar 19,9%, enquanto os gastos com alimentação no domicílio poderiam aumentar 6,32%.
O que esperar do clima no Brasil até dezembro de 2026?
O período entre setembro e dezembro de 2026 exige atenção para ondas de calor, seca, baixa umidade e incêndios, especialmente em regiões mais vulneráveis.
A possibilidade de pelo menos seis episódios de calor é baseada em padrões históricos associados ao El Niño e não representa uma previsão fechada de datas.
A evolução das condições do Oceano Pacífico, da atmosfera e das chuvas será determinante para definir a intensidade e a distribuição dos eventos nos próximos meses.
Perguntas sobre as ondas de calor no Brasil
Quantas ondas de calor o Brasil pode ter até dezembro de 2026?
A análise do Cemaden aponta possibilidade de pelo menos seis ondas de calor entre setembro e dezembro de 2026, considerando padrões históricos associados ao El Niño.
O que pode provocar tantas ondas de calor?
A combinação entre El Niño, aquecimento global, bloqueios atmosféricos, massas de ar quente e períodos de pouca chuva pode favorecer temperaturas elevadas e episódios prolongados de calor.
Setembro de 2026 será mais quente?
As projeções indicam temperaturas acima da média em grande parte do Brasil, com algumas áreas podendo registrar valores até 3°C superiores ao padrão.
O que é uma onda de calor?
É um período de vários dias com temperaturas excepcionalmente elevadas em relação ao padrão climático de determinada região.
O El Niño aumenta o risco de calor extremo?
O El Niño pode alterar os padrões de temperatura e precipitação, favorecendo condições mais quentes e secas em determinadas regiões do Brasil. Seus efeitos, porém, não são iguais em todo o território nacional.
O calor extremo pode provocar mais incêndios?
Sim. A combinação de temperaturas elevadas, baixa umidade e vegetação seca aumenta o risco de propagação de incêndios.
O calor pode aumentar o preço dos alimentos?
Sim. Eventos climáticos extremos podem reduzir a produção e a oferta de determinados produtos, contribuindo para pressões sobre os preços dos alimentos.
Quantos municípios brasileiros enfrentam seca severa?
Segundo os dados citados na análise do Cemaden, 157 municípios já apresentam situação de seca severa.
Quantos municípios estão em alto risco de fogo?
O levantamento citado aponta 560 municípios em nível alto de risco de fogo, abrangendo aproximadamente 35% do território brasileiro.
O Brasil entra no segundo semestre de 2026 diante de um cenário que exige atenção para a possibilidade de novas ondas de calor extremo.
A análise histórica do Cemaden indica potencial para pelo menos seis episódios entre setembro e dezembro, enquanto a possível influência de umdes El Niño forte pode favorecer condições climáticas mais extremas.
Além dos impactos sobre a saúde e o conforto da população, o calor prolongado pode aumentar o risco de seca, incêndios florestais e perdas agrícolas, com possíveis reflexos no preço dos alimentos.
Por isso, o acompanhamento das atualizações dos órgãos oficiais de meteorologia e monitoramento climático será fundamental nos próximos meses.
Texto e imagem de: www.acsace.com.br Fonte: IG
