Agentes Comunitários de Saúde denunciam descontos nos salários e cobram valorização em Juazeiro
Os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) de Juazeiro denunciaram o que classificam como um abuso institucional após serem surpreendidos com descontos nos salários sob a justificativa de supostas faltas relacionadas à sincronização dos tablets utilizados durante o trabalho.
Segundo a categoria, a Secretaria Municipal de Saúde passou a considerar a ausência da sincronização diária dos equipamentos como falta ao trabalho. No entanto, os profissionais afirmam que nunca receberam orientação oficial sobre esse procedimento e destacam que a própria gestão não disponibiliza acesso à internet para que a sincronização seja realizada durante a jornada de trabalho.
ACS afirmam utilizar internet particular para trabalhar
De acordo com os Agentes Comunitários de Saúde, muitos trabalhadores acabam utilizando internet particular para cumprir a exigência de sincronizar os tablets.
A situação, segundo eles, gera custos pessoais e amplia as dificuldades enfrentadas pela categoria.
"Neste mês, por exemplo, não poderei pagar minha internet porque terei que pedir dinheiro emprestado para arcar com as despesas essenciais. E, sem internet, serei penalizada?", questiona uma agente.
Categoria questiona legalidade dos descontos salariais
Os profissionais afirmam ainda que desconhecem qualquer publicação no Diário Oficial do Município que estabeleça a sincronização diária dos tablets como critério de controle de frequência ou que autorize a realização de descontos salariais em razão da ausência desse procedimento.
Para a categoria, a medida carece de transparência e de respaldo administrativo.
"O ACS não é um robô", afirmam os trabalhadores
Os Agentes Comunitários de Saúde ressaltam que a busca por indicadores de desempenho não pode substituir a essência do trabalho desenvolvido na Atenção Primária à Saúde (APS).
Segundo os profissionais, o trabalho do ACS vai muito além do preenchimento de sistemas eletrônicos.
É o agente que:
- Escuta e acolhe as famílias;
- Cria vínculos com a comunidade;
- Dedica tempo para ouvir idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade;
- Mobiliza ações para conseguir cestas básicas, roupas e apoio social;
- Atua como principal elo entre a população e a Unidade Básica de Saúde (UBS);
- Leva informações, prevenção e orientação diretamente aos domicílios.
Os trabalhadores afirmam que reduzir esse trabalho humanizado a números e metas acaba invisibilizando a verdadeira missão da Atenção Primária, que é cuidar das pessoas.
Falta de estrutura é alvo das críticas
Outro ponto destacado pelos profissionais é a ausência de condições adequadas de trabalho.
Segundo os relatos, a gestão municipal exige a sincronização dos tablets, mas não oferece conexão à internet para que a atividade seja realizada durante o expediente.
Na prática, diversos agentes utilizam seus próprios recursos para manter os equipamentos atualizados, arcando com despesas que deveriam ser de responsabilidade da administração pública.
Categoria cobra respeito e valorização profissional
A situação tem provocado forte indignação entre os Agentes Comunitários de Saúde, que afirmam estar sendo penalizados por uma exigência cuja infraestrutura necessária não é disponibilizada pelo município.
Os trabalhadores reforçam que a mobilização não busca privilégios, mas sim:
- Respeito aos profissionais;
- Valorização dos ACS;
- Condições dignas de trabalho;
- Segurança jurídica nas relações de trabalho;
- Reconhecimento do papel estratégico desempenhado pelos agentes na Atenção Primária à Saúde.
Segundo a categoria, diariamente os ACS percorrem ruas, enfrentam sol, chuva e longas distâncias para garantir que as famílias recebam acompanhamento, orientação em saúde e acesso aos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS).
Resumo da situação
- Agentes Comunitários de Saúde (ACS) denunciam descontos nos salários em Juazeiro;
- A gestão teria relacionado os descontos à falta de sincronização dos tablets;
- Os profissionais afirmam que não receberam orientação oficial sobre a exigência;
- A categoria denuncia que não há internet disponibilizada pelo município para realizar a sincronização;
- Muitos trabalhadores utilizam internet particular para desempenhar suas funções;
- Os ACS questionam a legalidade dos descontos e cobram valorização profissional e melhores condições de trabalho.
