Acidentes de trânsito pressionam rede pública de saúde, e prefeituras lançam coalizão nacional
Dados de 2025 mostram que 80% das internações ocorreram em municípios com mais de 80 mil habitantes
A sobrecarga provocada pelos acidentes de trânsito na rede pública de saúde levou a Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP) a lançar a Coalizão de Cidades pela Redução de Mortes e Lesões no Trânsito.
A mobilização nacional reúne administrações municipais e entidades parceiras para consolidar a segurança viária como agenda contínua e reduzir a pressão sobre a rede hospitalar nas cidades.
Acidentes de trânsito concentram internações nas cidades maiores
Os indicadores que motivaram a iniciativa mostram que o atendimento às vítimas se concentra com força nos centros urbanos mais populosos.
De acordo com os dados de morbidade hospitalar do SUS (SIH/SUS) referentes a 2025, 80% das internações hospitalares ocorreram em unidades situadas em municípios com mais de 80 mil habitantes.
Além disso, 59% dos internados e 54% das vítimas fatais residiam nessas cidades médias e grandes.
Os números ajudam a dimensionar o impacto dos acidentes de trânsito sobre o sistema público de saúde, especialmente nos municípios que concentram hospitais e serviços especializados para atendimento às vítimas.
Brasil registra milhares de mortes no trânsito
No cenário nacional, os números alertam para a gravidade da situação.
Segundo dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, 37.150 pessoas morreram no trânsito no Brasil em 2024 — uma média de 101 mortes por dia —, somadas a aproximadamente 160 mil feridos graves por ano.
Do ponto de vista econômico, as perdas chegam a 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo a entidade.
Além das vidas perdidas e das sequelas provocadas pelos acidentes, os sinistros de trânsito geram custos para o poder público, incluindo atendimento de emergência, internações, cirurgias, reabilitação e acompanhamento de pacientes.
Prefeituras querem reduzir mortes e lesões no trânsito
Durante o evento de lançamento da coalizão, o presidente da Comissão Permanente de Saúde da FNP e prefeito de Campinas (SP), Dário Saadi (Republicanos-SP), alertou que o quadro já atingiu proporções de epidemia nos municípios.
"As cidades sofrem as consequências. A sobrecarga chega diretamente à rede municipal de saúde, com internações prolongadas e pressão sobre hospitais", afirmou o prefeito.
Saadi também defendeu que medidas como fiscalização e controle de velocidade são essenciais para salvar vidas, ainda que enfrentem resistência popular.
Controle de velocidade é apontado como medida de segurança
A discussão sobre segurança viária envolve diferentes estratégias para diminuir a quantidade e a gravidade dos acidentes.
Entre elas está o controle da velocidade, considerado uma das medidas importantes para reduzir riscos especialmente para os usuários mais vulneráveis das vias.
Pedestres, ciclistas e motociclistas estão entre os grupos que podem sofrer consequências graves quando ocorre uma colisão.
Por isso, a coalizão pretende estimular os municípios a desenvolverem políticas permanentes de gestão segura da velocidade.
Coalizão reúne municípios e entidades parceiras
A iniciativa é conduzida em parceria com a Vital Strategies e a Bloomberg Philanthropies, dentro do Road Safety Grants Program.
Com duração de dois anos, o projeto oferecerá capacitação para os municípios que aderirem e consultoria técnica personalizada para cinco cidades selecionadas.
A proposta busca apoiar os gestores municipais na criação de políticas capazes de reduzir mortes e lesões provocadas por acidentes de trânsito.
Projeto quer calcular quanto os acidentes custam à saúde pública
Entre as metas do plano está a criação de uma plataforma digital simplificada para estimar os gastos das prefeituras com os sinistros de trânsito na saúde.
A ferramenta poderá ajudar os gestores a compreender melhor o impacto financeiro provocado pelos acidentes e, consequentemente, fortalecer o planejamento de ações preventivas.
A iniciativa também prevê estratégias de gestão segura da velocidade, apontada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como medida indispensável para preservar a integridade de pedestres, ciclistas e motociclistas.
Segurança no trânsito também é uma questão de saúde pública
Os números apresentados pela iniciativa mostram que os acidentes de trânsito não representam apenas um problema de mobilidade urbana ou segurança pública.
Eles também produzem impactos diretos sobre a saúde pública, aumentando a demanda por atendimento de emergência, internações e tratamentos de longo prazo.
Para os municípios, reduzir acidentes significa não apenas preservar vidas, mas também diminuir a pressão sobre os serviços públicos de saúde.
A nova Coalizão de Cidades pela Redução de Mortes e Lesões no Trânsito pretende justamente transformar essa preocupação em uma agenda permanente das administrações municipais.
Acidentes de trânsito e saúde pública
Quantas pessoas morreram no trânsito no Brasil em 2024?
Segundo os dados apresentados no texto, 37.150 pessoas morreram no trânsito no Brasil em 2024, uma média de aproximadamente 101 mortes por dia.
Onde ocorreram 80% das internações por acidentes de trânsito?
De acordo com os dados do SIH/SUS referentes a 2025, 80% das internações hospitalares ocorreram em unidades localizadas em municípios com mais de 80 mil habitantes.
O que é a Coalizão de Cidades pela Redução de Mortes e Lesões no Trânsito?
É uma mobilização nacional lançada pela Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP) para reunir administrações municipais e entidades parceiras em ações voltadas à segurança viária e redução de mortes e lesões no trânsito.
Qual é o objetivo da coalizão?
A iniciativa busca apoiar os municípios na implementação de estratégias de segurança viária, capacitação, gestão segura da velocidade e redução da pressão causada pelos acidentes sobre a rede pública de saúde.
Quem participará do projeto?
A iniciativa é conduzida em parceria com a Vital Strategies e a Bloomberg Philanthropies, dentro do Road Safety Grants Program, com capacitação para municípios participantes e consultoria técnica personalizada para cinco cidades selecionadas.
Por que acidentes de trânsito são um problema de saúde pública?
Além das mortes, os acidentes podem provocar ferimentos graves, internações prolongadas, sequelas e necessidade de reabilitação, aumentando a demanda e os custos para a rede pública de saúde.
Por: www.acsace.com.br Fonte: Brasil 61
