Ministério da Saúde alerta para risco de aumento da dengue, chikungunya e outras arboviroses devido ao Super El Niño em 2026/2027

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Nota Informativa do Ministério da Saúde orienta estados e municípios a intensificarem ações de vigilância, prevenção, controle vetorial e assistência diante da previsão de El Niño moderado a forte.

O Ministério da Saúde emitiu a Nota Informativa nº 10/2026-CGARB/DEDT/SVSA/MS alertando gestores estaduais, municipais e do Distrito Federal sobre a possibilidade de aumento significativo dos casos de dengue, chikungunya e outras arboviroses durante o período 2026/2027.

Segundo o documento, a previsão de ocorrência de um El Niño moderado a forte no segundo semestre de 2026 poderá favorecer condições climáticas que aumentam a proliferação do mosquito Aedes aegypti, exigindo planejamento antecipado das ações de vigilância epidemiológica, controle vetorial e assistência à saúde.

O que motivou o alerta do Ministério da Saúde?

A Nota Informativa explica que a World Meteorological Organization (WMO) e o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) confirmaram a previsão de ocorrência do fenômeno El Niño durante o segundo semestre de 2026.

O fenômeno provoca alterações climáticas importantes, como:

  • aumento das temperaturas;
  • mudanças no regime de chuvas;
  • períodos prolongados de seca em determinadas regiões;
  • armazenamento de água em recipientes, favorecendo criadouros do mosquito.

Segundo o Ministério da Saúde, situações semelhantes ocorreram durante os eventos de 2015/2016 e 2023/2024, períodos que coincidiram com grandes epidemias de arboviroses no Brasil.

Qual é a situação epidemiológica das arboviroses em 2026?

Até a Semana Epidemiológica 24 de 2026, foram registrados:

Dengue

  • 392.816 casos prováveis
  • incidência de 184,1 casos por 100 mil habitantes
  • redução de 73% em relação ao mesmo período de 2025
  • 225 óbitos confirmados
  • 210 mortes em investigação

Os estados com maior concentração de casos são:

  • Goiás
  • Tocantins
  • Minas Gerais
  • São Paulo

Esses quatro estados concentram aproximadamente 61% dos casos prováveis registrados no país.

Além disso, circulam os quatro sorotipos da dengue, com predominância do DENV-2 e expansão recente do DENV-3.

Chikungunya

Até a mesma semana epidemiológica foram registrados:

  • 55.966 casos prováveis
  • incidência de 26,2 casos por 100 mil habitantes
  • redução de 46% em comparação com 2025
  • 43 óbitos confirmados
  • 19 mortes em investigação

A maior concentração de casos ocorre em:

  • Minas Gerais
  • Mato Grosso do Sul
  • Goiás

Esses estados representam cerca de 69% dos casos nacionais.

Embora o Ministério da Saúde destaque que ainda não existe epidemia generalizada, o documento chama atenção para o aumento de casos em regiões específicas e para alertas emitidos por países vizinhos, como a Bolívia.

O que apontam as modelagens do InfoDengue?

A Nota Informativa apresenta projeções desenvolvidas pelo InfoDengue/Fiocruz, utilizadas pelo Ministério da Saúde para apoiar o planejamento das ações de enfrentamento.

Segundo as estimativas:

  • cerca de 1,7 milhão de casos suspeitos de dengue poderão ocorrer em 2027;
  • o cenário pode variar entre aproximadamente 1 milhão e 5,6 milhões de notificações;
  • considerando a taxa média nacional de descarte, estima-se cerca de 1 milhão de casos prováveis, podendo variar entre 600 mil e 3,6 milhões.

O relatório destaca que essas projeções são estimativas epidemiológicas sujeitas a atualizações conforme a evolução do cenário climático.

Quais regiões podem sofrer maior impacto?

Segundo o modelo apresentado na Nota Informativa:

Região Sudeste

Poderá apresentar o maior impacto decorrente de um cenário de El Niño muito intenso.

A estimativa aponta possibilidade de dobro de casos de dengue quando comparado a períodos sem influência do fenômeno climático.

O documento destaca que Minas Gerais poderá registrar temporada mais intensa que a observada em 2025.

Região Sul

Possibilidade de aumento aproximado de 20% dos casos.

Região Norte

Estimativa de crescimento em torno de 10%.

Nordeste

Os estados da Paraíba, Ceará e Bahia podem registrar temporada mais intensa que a de 2025.

Centro-Oeste

O destaque é o Distrito Federal, onde também há previsão de aumento da transmissão.

Quais medidas o Ministério da Saúde recomenda aos gestores?

A Nota Informativa orienta estados e municípios a intensificarem diversas ações preventivas.

Entre elas estão:

  • bloqueio imediato da transmissão ao surgimento dos primeiros casos suspeitos;
  • reorganização das atividades dos Agentes de Combate às Endemias (ACE) conforme estratificação de risco;
  • utilização da positividade das ovitrampas para orientar as ações;
  • atuação integrada com educação, meio ambiente, defesa civil, assistência social e planejamento;
  • eliminação de possíveis criadouros;
  • realização da Borrifação Residual Intradomiciliar (BRI Aedes) em locais com grande circulação de pessoas;
  • fortalecimento das ações educativas com apoio dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS);
  • utilização das tecnologias previstas nas Diretrizes Nacionais para Controle das Arboviroses;
  • manutenção dos estoques de larvicidas e adulticidas.

Quais recomendações foram feitas para a Vigilância Epidemiológica?

O Ministério da Saúde recomenda:

  • intensificar notificações oportunas;
  • investigar rapidamente os casos suspeitos;
  • comunicar imediatamente os casos às equipes de controle vetorial;
  • monitorar mudanças dos sorotipos da dengue;
  • investigar todos os óbitos suspeitos;
  • acompanhar continuamente os indicadores epidemiológicos;
  • executar os Planos de Contingência para dengue, chikungunya e Zika.

Como a assistência à saúde deve se preparar?

A Nota Informativa também orienta os serviços de saúde a:

  • ampliar a vigilância clínica;
  • capacitar profissionais;
  • divulgar cursos da UNA-SUS;
  • priorizar grupos de maior risco;
  • organizar o atendimento na Atenção Primária;
  • garantir exames laboratoriais;
  • utilizar protocolos oficiais do Ministério da Saúde;
  • orientar a população sobre sinais de gravidade.

Qual é o papel dos ACS e ACE diante do alerta?

A Nota Informativa reforça a atuação estratégica dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e dos Agentes de Combate às Endemias (ACE).

Entre as principais atribuições destacadas estão:

  • reforço das ações educativas;
  • apoio às medidas de prevenção;
  • atuação integrada com o controle vetorial;
  • identificação precoce de situações de risco;
  • fortalecimento das ações territoriais durante o período de maior transmissão.

O Ministério da Saúde conclui que o cenário climático previsto exige preparação antecipada dos serviços de saúde e integração entre vigilância, assistência, controle vetorial e gestão.

Também reforça a importância da participação da população na eliminação dos criadouros do mosquito Aedes aegypti e na busca imediata por atendimento diante do aparecimento de sinais e sintomas compatíveis com arboviroses.

Além disso, informa que estados e municípios podem acompanhar continuamente os alertas epidemiológicos por meio do sistema InfoDengue, e que as recomendações poderão ser atualizadas conforme a evolução da situação epidemiológica.

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Imagem: Agência Brasília

O Ministério da Saúde prevê aumento da dengue em 2027?

Sim. A Nota Informativa alerta para a possibilidade de aumento dos casos devido à previsão de ocorrência de El Niño moderado a forte.

Quantos casos de dengue podem ocorrer em 2027?

A modelagem do InfoDengue estima aproximadamente 1,7 milhão de casos suspeitos, podendo variar conforme o cenário climático.

Quais estados podem ser mais afetados?

A Nota Informativa destaca especialmente Minas Gerais, além de estados das regiões Nordeste e o Distrito Federal.

O que os municípios devem fazer?

Intensificar ações de prevenção, vigilância, controle vetorial, assistência à saúde e mobilização intersetorial.


Nota Informativa nº 10-2026-CGARB-DEDT-SVSA-MS ACESSE AQUI


Por: www.acsace.com.br