SUS transporta sangue raro em voo comercial para atender paciente grave em Juiz de Fora
Bolsa coletada no Ceará foi enviada para Minas Gerais em aeronave comercial; paciente transplantado precisava de sangue compatível para transfusão
O Sistema Único de Saúde (SUS) viabilizou o transporte de uma bolsa de sangue raro do Ceará para Juiz de Fora, em Minas Gerais, para atender um paciente em estado grave que aguardava uma transfusão. O material foi transportado gratuitamente na cabine de um voo comercial, em uma operação articulada pelo Ministério da Saúde, pelos hemocentros e pelas companhias aéreas.
A operação, realizada em outubro de 2026, foi o segundo transporte de sangue raro na cabine de uma aeronave comercial no Brasil, desde a ampliação da parceria que já permitia o deslocamento aéreo de órgãos destinados a transplantes. A iniciativa busca reduzir o tempo necessário para levar bolsas compatíveis a pacientes que precisam de transfusão.
Por que o paciente precisava de sangue raro?
O paciente está internado em Minas Gerais e passou por um transplante renal. Durante os exames pré-transfusionais, foi identificado o anticorpo anti-Jsb, que dificultou a localização de sangue compatível.
Diante da situação, a rede de hemoterapia acionou o Cadastro Nacional de Sangue Raro (CNSR), que permitiu localizar um possível doador no Ceará.
Segundo informações divulgadas pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, apenas seis doadores cadastrados no país apresentavam perfil compatível com a necessidade identificada no caso.
O hemocentro cearense mobilizou o doador, realizou os procedimentos necessários e organizou a coleta da bolsa. O material seguiu em voo comercial, com acondicionamento apropriado e controle de temperatura, para chegar ao paciente em tempo oportuno.
Como funciona o transporte de sangue raro pelo SUS?
A operação envolve a atuação conjunta de diferentes instituições, incluindo o Ministério da Saúde, o Sistema Nacional de Transplantes (SNT), a Coordenação-Geral de Sangue e Hemoderivados, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), as companhias aéreas e os hemocentros responsáveis pelo atendimento.
Com a ampliação do acordo, o transporte de bolsas de sangue raro pode ocorrer com mais agilidade, inclusive à noite, em fins de semana e feriados, conforme a necessidade clínica e a organização logística.
Antes dessa mudança, as bolsas eram transportadas como carga, modalidade que poderia impor prazos maiores e restrições operacionais. A utilização da cabine de aeronaves comerciais amplia as possibilidades de deslocamento entre estados.
Primeiro transporte levou sangue raro de São Paulo ao Piauí
Em 12 de setembro de 2026, o Ministério da Saúde viabilizou o primeiro transporte gratuito de uma bolsa de sangue raro na cabine de um voo comercial no Brasil.
Na ocasião, o material saiu de São Paulo com destino ao Piauí para atender um paciente com doença renal crônica, em estado grave, que precisava de transfusão.
Após exames identificarem uma combinação sanguínea rara, a rede de hemoterapia acionou o Cadastro Nacional de Sangue Raro e localizou um doador compatível. A transfusão foi realizada, e a equipe responsável informou que o paciente apresentou bom estado de saúde após o procedimento.
O que é considerado sangue raro?
O conceito de sangue raro vai além dos grupos sanguíneos mais conhecidos, como A, B, AB e O, e do fator Rh positivo ou negativo.
As hemácias possuem diferentes antígenos em sua superfície. Em determinadas situações, uma pessoa apresenta características incomuns ou ausência de antígenos comuns, o que pode tornar difícil encontrar uma bolsa compatível para transfusão.
A raridade é especialmente importante para pacientes que desenvolveram anticorpos contra determinados antígenos. Nesses casos, receber sangue incompatível pode aumentar o risco de reações transfusionais.
Exames como a fenotipagem e a genotipagem ajudam a identificar características específicas das hemácias e a localizar doadores com perfil compatível.
Cadastro Nacional de Sangue Raro reúne doadores de todo o país
Criado pelo Ministério da Saúde em 2013, o Cadastro Nacional de Sangue Raro (CNSR) centraliza informações de doadores identificados pelos hemocentros brasileiros.
Segundo o Ministério da Saúde, o cadastro reúne atualmente 2.032 doadores e já contribuiu para o atendimento de mais de 300 pacientes. Quando um hemocentro não consegue localizar sangue compatível em sua própria região, pode solicitar apoio à rede nacional.
A partir da solicitação, as equipes buscam possíveis doadores, organizam a convocação para coleta e auxiliam na logística para que a bolsa chegue ao serviço de saúde responsável pelo paciente.
Brasil prevê ampliar a estrutura para localizar e armazenar sangue raro
Entre as iniciativas em desenvolvimento estão a ampliação da identificação de pessoas com perfis sanguíneos raros, a estruturação de laboratórios de referência e a implantação de técnicas de congelamento que podem permitir o armazenamento dessas bolsas por até dez anos.
O Ministério da Saúde também informou que a adesão à rede mundial de sangue raro está prevista para outubro de 2026. A participação poderá ampliar a cooperação internacional para localizar bolsas compatíveis quando não houver disponibilidade no Brasil.
Transporte aéreo já é utilizado para órgãos destinados a transplantes
O acordo de cooperação entre o Ministério da Saúde e as companhias aéreas já contempla o transporte gratuito de órgãos destinados a transplantes.
Em 2025, a Central Nacional de Transplantes intermediou 2.016 transportes, sendo 1.716 em voos comerciais e 300 em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB), conforme os dados divulgados pelo Ministério da Saúde.
Com a inclusão do sangue raro nessa estrutura, a logística também pode ser utilizada para transportar bolsas compatíveis entre estados, inclusive quando o doador está a milhares de quilômetros do paciente.
Transporte de sangue raro pelo SUS
Por que é difícil encontrar sangue raro?
Porque algumas pessoas apresentam combinações incomuns de antígenos nas hemácias. Para pacientes que possuem anticorpos contra determinados antígenos, a compatibilidade exige exames específicos e pode depender da localização de doadores em outras regiões.
De onde veio o sangue enviado para Juiz de Fora?
A bolsa foi coletada no Ceará após a localização de um doador compatível por meio do Cadastro Nacional de Sangue Raro.
Quem organizou o transporte?
A operação envolveu o Ministério da Saúde, os serviços de hemoterapia, o Hemoce, a Fundação Hemominas e o apoio da parceria com companhias aéreas.
O que é o Cadastro Nacional de Sangue Raro?
É uma iniciativa criada em 2013 pelo Ministério da Saúde para reunir informações sobre doadores com características sanguíneas raras e facilitar a busca por bolsas compatíveis.
Como o sangue raro é identificado?
Exames laboratoriais, como fenotipagem e genotipagem, ajudam a reconhecer características específicas das hemácias e a identificar doadores compatíveis.
Por : www.acsace.com.br Fonte: Ministério da Saúde

