Você sabe onde o SUS está presente no nosso dia a dia?

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Sistema Único de Saúde atua muito além dos hospitais e postos: da qualidade da água ao controle de alimentos, medicamentos, pets, transplantes, bancos de leite e atendimento de emergência

De acordo com a Constituição Federal de 1988, a “saúde é direito de todos e dever do Estado”. Por isso, da consulta no postinho até uma cirurgia de alta complexidade, o Sistema Único de Saúde (SUS) está presente na vida de 150 milhões de brasileiros de forma integral.

Considerando também os serviços ofertados aos mais de 50 milhões de beneficiários de planos de saúde, que também usam o SUS, soma-se um total de 2,8 bilhões de atendimentos por ano, realizados por 3,5 milhões de profissionais.

Sua rede, de acordo com o Ministério da Saúde, contempla desde ações de promoção e prevenção até atendimentos especializados, procedimentos de alta complexidade e transplantes, atendendo a população em diferentes etapas da vida.

Para isso, o SUS segue os princípios da universalização, equidade e integralidade.

Mas você sabe onde mais podemos encontrar a atuação do SUS?

SUS está presente em lugares que você nem imagina

Apesar de só ser acessado na integralidade por 76% dos brasileiros, de uma forma ou de outra, o SUS faz parte da garantia de saúde na vida de todos nós.

Podemos nem notar, mas o Sistema atua em ações essenciais para garantir a saúde da população.

É o SUS que participa do controle de qualidade da água potável que chega às nossas casas e do esgoto, por causa das verminoses, através do Programa Nacional de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Vigiagua).

A Vigilância em Saúde Ambiental (VSA) — guarda-chuva que inclui o Vigiagua — é o conjunto de ações que monitora e controla os fatores do meio ambiente que podem afetar a saúde humana.

É pela atuação da VSA que é realizado o monitoramento de riscos ligados a possíveis contaminações da água, solo e ar; controlam-se animais e outros vetores de doenças; e são realizadas medidas de resposta a secas, enchentes ou acidentes industriais.

SUS também fiscaliza alimentos em mercados e restaurantes

Ainda no âmbito da vigilância, é pelo SUS que se estrutura a Vigilância Sanitária e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Por elas, o sistema está presente em mercados, bares, lanchonetes e restaurantes, realizando a fiscalização da qualidade e o controle dos alimentos oferecidos pelos estabelecimentos.

Quando estes não obedecem às práticas de segurança, é também dever do SUS a intervenção nos estabelecimentos.

Medicamentos também passam pelo controle do SUS

A mesma coisa vale para o controle da qualidade dos medicamentos.

O SUS normatiza, controla e fiscaliza produtos, substâncias e serviços de interesse para a saúde.

Isso significa que, para ser vendido no Brasil, todo medicamento precisa ter autorização da Anvisa.

Dessa forma, mesmo quando uma pessoa não está dentro de uma unidade de saúde, o SUS pode estar atuando para garantir a segurança dos produtos relacionados à saúde que chegam até ela.

SUS atua em portos, aeroportos e rodoviárias

É igualmente através dessas instituições de fiscalização que o sistema está presente em rodoviárias, portos e aeroportos de todo o Brasil.

Dada a circulação de pessoas, esses ambientes são locais de atenção para a propagação de doenças.

Por isso, o sistema é responsável pela fiscalização de normas sanitárias e pela adoção de medidas preventivas e de controle de surtos, epidemias e agravos à saúde pública nesses locais.

Nos portos, a Anvisa atua na fiscalização de importações, exportações e circulação de matérias-primas e mercadorias sujeitas à Vigilância Sanitária.

No transporte terrestre, cabe à agência a manutenção das boas práticas relativas à oferta de alimentos, gestão de resíduos sólidos e dejetos líquidos.

SAMU é outro serviço do SUS

Caso uma emergência ocorra e você precise acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), o SUS também estará lá.

Criado em 2004 com finalidade de prestar socorro à população em casos de emergência, o serviço tem a gestão feita por estados e municípios, mas a metade do custeio é financiada pelo SUS, através do Ministério da Saúde.

Uma curiosidade é que, antes mesmo de ser implantado em todo o Brasil, o Samu foi estruturado de maneira pioneira em Belo Horizonte, em 2003, servindo de referência para o plano nacional.

SUS também atua na saúde dos animais

A atuação do SUS também alcança a saúde animal e o controle de zoonoses.

Através da Subsecretaria de Vigilância, Fiscalização Sanitária e Controle de Zoonoses (Subvisa), o SUS também atua diretamente na vida e manutenção da saúde dos pets.

É por essa estrutura que o Sistema fiscaliza o cumprimento das normas sanitárias nos pet shops.

A estrutura também está relacionada à imunização de animais, castração, controle de pragas e prevenção e controle de doenças de animais urbanos e rurais.

Transplantes de órgãos são realizados majoritariamente pelo SUS

O Brasil também tem um amplo sistema de transplante de órgãos, que é referência mundial.

É via SUS que são realizadas 96% das cirurgias de transplante no país, além de garantir a assistência integral ao paciente transplantado.

Da mesma forma, os hemocentros, que compõem um dos maiores sistemas públicos de hemoterapia do mundo, são organizados pela Política Nacional de Sangue e Hemoderivados, diretamente vinculada ao SUS.

SUS mantém uma das maiores redes de bancos de leite

No mesmo sentido, é consolidada via SUS a maior rede de bancos de leite do mundo.

De acordo com o Ministério da Saúde, atualmente existem no país 221 bancos de leite humano e 186 postos de coleta.

É assim que toda lactante pode doar leite, desde que esteja saudável e não esteja tomando nenhum medicamento que interfira na amamentação.

SUS oferece procedimentos de readequação de gênero

O SUS oferece também, gratuitamente, cirurgias e procedimentos ambulatoriais para pacientes que desejam fazer a readequação de gênero.

Entre os serviços, estão:

  • Cirurgia plástica mamária reconstrutiva;
  • Cirurgia de redesignação sexual;
  • Cirurgia de mastectomia;
  • Cirurgia de tireoplastia, relacionada à alteração do timbre de voz.

Da mesma forma, são realizadas cirurgias plásticas reparadoras para sequelas e lesões decorrentes de atos de violência contra a mulher.

Agentes Comunitários de Saúde são uma das grandes inovações do SUS

É por meio dessa imensa estrutura de saúde pública que muitas inovações são possibilitadas e implantadas no cotidiano.

É o caso dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS), profissionais do SUS que fazem o elo direto entre os moradores da comunidade e as Unidades Básicas de Saúde (UBS).

São eles e elas que realizam visitas domiciliares, orientam os cidadãos, acompanham grupos vulneráveis e identificam riscos.

Para a população, essa atuação significa levar a atenção básica para mais perto das famílias e dos territórios.

Como surgiu o trabalho dos Agentes Comunitários de Saúde?

O projeto piloto dos Agentes Comunitários de Saúde ocorreu em 1987 em alguns estados do Nordeste.

A política foi nacionalmente implantada a partir de 1991, quando o Ministério da Saúde, em parceria com as secretarias estaduais e municipais, institucionalizou o Programa Nacional de Agentes Comunitários de Saúde (PNACS).

Posteriormente, em 1994, o modelo foi substituído pelo Programa de Saúde da Família (PSF), que, até hoje, oferta uma equipe composta por médico, auxiliar de enfermagem, enfermeiro e ACS.

De acordo com a legislação, o ACS deve ser morador da área em que atua há pelo menos dois anos.

Com o tempo, esse profissional tornou-se um importante elemento na promoção da assistência e no fortalecimento da Atenção Básica.

Consultório na Rua amplia o acesso à saúde

Os ambulatórios de rua, como são popularmente conhecidos os oficiais Consultórios na Rua (eCR), são outro exemplo de inovação bem-sucedida neste sistema de proporções continentais.

O serviço itinerante é voltado para o atendimento integral à população em situação de rua.

Segundo o Ministério da Saúde, a política visa ampliar o acesso dessa população, que se encontra em condições de vulnerabilidade e com os vínculos familiares interrompidos ou fragilizados, aos serviços de saúde.

Estudos apontam que a iniciativa reduz a dependência de serviços de urgência e emergência, que são mais custosos e menos eficazes para o cuidado longitudinal; facilita a detecção precoce de agravos crônicos e demandas psiquiátricas associadas à vulnerabilidade social; promove vínculos e continuidade de cuidado; e reforça a efetivação dos princípios do SUS.

Embora não exista um consenso global sobre métricas precisas de desempenho, avaliações municipais indicam que o serviço já atendeu milhares de pessoas.

Em última instância, a iniciativa tende a reduzir internações evitáveis e diminuir a pressão sobre serviços de urgência, além de criar oportunidades para cuidado continuado e coordenação com outras políticas públicas.

Saúde digital amplia a presença do SUS

Na perspectiva do aproveitamento dessas inovações e na integração e efetividade possibilitada por novas tecnologias, têm sido inseridas no SUS novas práticas que fortalecem a saúde digital.

É pensando no melhor atendimento da população, na redução das filas e da superlotação que o Departamento de Saúde Digital e Inovação coordena estratégias de telemedicina, telessaúde e o uso de prontuários informatizados para integrar o atendimento básico aos hospitais.

A digitalização permite ampliar a integração entre diferentes pontos da rede e pode facilitar o acesso a informações necessárias para a continuidade do cuidado.

Novos investimentos em inovação na saúde

Para que tudo isso seja possível, é central a priorização da saúde e o correto investimento no financiamento do sistema.

Embora o Brasil apresente um dos menores financiamentos per capita quando comparado a outros países que buscam ofertar uma saúde pública universal, como França e Reino Unido, recentemente têm sido anunciados novos investimentos em inovação.

É o caso, por exemplo, do anúncio do Ministério da Saúde, este ano, de R$ 60 milhões voltados à geração de conhecimento científico, tecnologias e soluções inovadoras relacionadas à endometriose, à dor pélvica e à saúde menstrual.

Este é o maior investimento já realizado no Brasil pensando na saúde da mulher, em específico.

Complexo Econômico-Industrial da Saúde busca ampliar produção nacional

Neste sentido, especialistas apontam que o fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde é vital para reduzir a dependência externa e garantir que as necessidades do SUS sejam produzidas no Brasil.

Programas como o Novo PAC Saúde expandem a rede com novas UBS, maternidades, policlínicas, unidades móveis e ambulâncias do SAMU.

O conjunto de ações mostra que a atuação do Sistema Único de Saúde vai muito além dos hospitais e postos de saúde.

Ela está presente na água que chega às residências, nos alimentos fiscalizados, nos medicamentos autorizados, nos portos e aeroportos, nas emergências atendidas pelo SAMU, nos transplantes, nos bancos de leite, na vigilância de zoonoses e no trabalho cotidiano dos Agentes Comunitários de Saúde.

Onde o SUS está presente?

Em resumo, o SUS está presente em diferentes áreas do cotidiano dos brasileiros, mesmo quando o cidadão não percebe diretamente sua atuação.

Entre os exemplos estão:

  • Água potável: vigilância da qualidade da água para consumo humano;
  • Alimentos: fiscalização sanitária de mercados, bares, restaurantes e outros estabelecimentos;
  • Medicamentos: regulamentação e fiscalização sanitária;
  • Portos, aeroportos e rodoviárias: prevenção e controle de riscos sanitários;
  • SAMU: atendimento móvel de urgência;
  • Saúde animal: vigilância e controle de zoonoses;
  • Transplantes: realização e assistência aos pacientes transplantados;
  • Sangue: organização da rede pública de hemoterapia;
  • Leite humano: bancos de leite e postos de coleta;
  • Atenção Básica: atuação dos ACS e das equipes de saúde;
  • População em situação de rua: Consultórios na Rua;
  • Saúde digital: telemedicina, telessaúde e prontuários informatizados.

O SUS salva vidas diariamente e permanece como uma das principais estruturas públicas de saúde do país, atuando desde a prevenção e vigilância até tratamentos de alta complexidade.

O SUS está presente apenas nos hospitais e postos de saúde?

Não. O SUS atua em diversas áreas do cotidiano, incluindo vigilância da água, fiscalização de alimentos e medicamentos, controle de zoonoses, transplantes, bancos de leite, vacinação, SAMU e ações de prevenção.

O SUS fiscaliza a qualidade da água?

Sim. A Vigilância em Saúde Ambiental, incluindo o Vigiagua, realiza ações relacionadas ao monitoramento da qualidade da água destinada ao consumo humano e de riscos ambientais que podem afetar a saúde.

O SUS fiscaliza restaurantes e mercados?

Sim. A Vigilância Sanitária atua na fiscalização das condições sanitárias e da segurança dos alimentos comercializados em estabelecimentos sujeitos às normas sanitárias.

O SUS participa de transplantes?

Sim. O Sistema Único de Saúde participa diretamente da realização de transplantes e da assistência aos pacientes transplantados.

Qual é a função dos Agentes Comunitários de Saúde?

Os ACS atuam diretamente nos territórios, realizando visitas domiciliares, acompanhando famílias, orientando moradores, identificando riscos e fortalecendo a ligação entre a comunidade e os serviços de saúde.

O SUS também atua na saúde dos animais?

Sim. Estruturas de vigilância e controle de zoonoses atuam na prevenção e controle de doenças que podem afetar animais e seres humanos, além de outras ações relacionadas à saúde animal.

O SAMU faz parte do SUS?

Sim. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) integra a rede pública de atenção às urgências e possui financiamento do SUS.


Por : www.acsace.com.br Fonte: Brasil de Fato