InfoGripe: cinco estados estão em alerta para aumento de casos de SRAG

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Tony Winston/Agência Brasília

Boletim da Fiocruz aponta crescimento da Síndrome Respiratória Aguda Grave em cinco unidades da Federação; metapneumovírus, rinovírus e Covid-19 aparecem entre os vírus associados aos casos

Cinco estados brasileiros apresentam incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em nível de alerta ou risco, com sinal de crescimento, segundo a nova edição do Boletim InfoGripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) nesta quinta-feira (29).

O levantamento considera a Semana Epidemiológica 42, correspondente ao período de 18 a 24 de outubro de 2026, e identifica aumento da tendência de longo prazo nos seguintes estados:

  • Amapá;
  • Mato Grosso;
  • Mato Grosso do Sul;
  • Sergipe;
  • Maranhão.

Em Sergipe, o crescimento dos casos de SRAG está sendo impulsionado principalmente pelo metapneumovírus, com maior ocorrência entre crianças pequenas.

O estudo também identificou duas unidades da Federação com incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, mas sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Roraima e Santa Catarina.

SRAG no Brasil apresenta tendência de estabilização, aponta Fiocruz

No cenário nacional, o número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave apresenta tendência de estabilização ou oscilação nas últimas seis semanas, mas houve aumento nas últimas três semanas.

A atualização do InfoGripe também verificou queda dos casos de SRAG associados ao metapneumovírus e estabilização das ocorrências relacionadas ao rinovírus.

Já os casos graves de Covid-19 apresentaram leve crescimento em nível nacional. Apesar disso, as hospitalizações pela doença continuam em níveis baixos no país.

A pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe, desenvolvido pelo Programa de Computação Científica da Fiocruz, reforçou a importância da vacinação contra a Covid-19 para os grupos prioritários.

Segundo a pesquisadora, idosos e pessoas imunocomprometidas precisam receber doses de reforço da vacina contra a Covid-19 a cada seis meses, conforme a orientação mencionada no boletim.

Quais vírus estão provocando aumento de SRAG nos estados?

O levantamento da Fiocruz identificou diferentes agentes virais associados ao crescimento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave nas unidades da Federação.

Confira os principais destaques:

  • Mato Grosso: aumento dos casos impulsionado principalmente pelo Sars-CoV-2, causador da Covid-19.
  • Mato Grosso do Sul: crescimento associado ao rinovírus e ao Sars-CoV-2.
  • Sergipe: aumento relacionado principalmente ao metapneumovírus, especialmente entre crianças pequenas.
  • Amapá e Maranhão: não há dados laboratoriais suficientes para determinar qual vírus está provocando o aumento dos casos.

O boletim também identificou crescimento das ocorrências de SRAG associadas ao metapneumovírus em estados das regiões Sudeste e Nordeste.

Os principais sinais foram observados em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco e Sergipe.

Além disso, houve indicação de leve aumento dos casos graves de SRAG na população de 50 a 64 anos. Nas demais faixas etárias, o cenário é de estabilização.

Cinco capitais estão em alerta para aumento de casos de SRAG

O boletim InfoGripe também identificou cinco capitais com nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas, além de sinal de crescimento na tendência de longo prazo nas últimas seis semanas.

As cidades identificadas até a Semana Epidemiológica 42 são:

  • Aracaju (SE);
  • Belém (PA);
  • Cuiabá (MT);
  • João Pessoa (PB);
  • Rio de Janeiro (RJ).

O levantamento também detalha as faixas etárias mais afetadas em cada capital.

Aracaju e Cuiabá: aumento dos casos principalmente entre crianças pequenas.

João Pessoa: crescimento observado principalmente na população de 50 a 64 anos.

Belém: aumento entre crianças de 2 a 4 anos e adultos de 50 a 64 anos.

Rio de Janeiro: crescimento entre crianças menores de 2 anos e adultos de 15 a 49 anos.

Outras duas capitais apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, mas sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Brasília (DF) e Florianópolis (SC).

Dados epidemiológicos: rinovírus lidera entre os casos positivos

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas analisadas, a distribuição dos vírus entre os casos positivos de SRAG foi a seguinte:

Vírus respiratórioProporção dos casos positivos
Influenza A4,1%
Influenza B5,4%
Vírus sincicial respiratório (VSR)11,5%
Rinovírus53,3%
Sars-CoV-2 (Covid-19)6,4%

Entre os óbitos com identificação positiva desses mesmos vírus no período, as proporções foram:

Vírus respiratórioProporção entre os óbitos positivos
Influenza A4,8%
Influenza B7,6%
VSR8,6%
Rinovírus42,9%
Sars-CoV-2 (Covid-19)19%

Os dados mostram que o rinovírus representa a maior proporção entre os casos positivos e entre os óbitos associados aos vírus analisados nas quatro semanas consideradas.

Brasil registra mais de 168 mil casos notificados de SRAG em 2026

De acordo com o levantamento, o ano epidemiológico de 2026 já contabiliza 168.814 casos notificados de Síndrome Respiratória Aguda Grave.

Desse total:

  • 90.200 casos (53,4%) tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório;
  • 61.754 casos (36,6%) apresentaram resultado negativo;
  • Pelo menos 7.351 casos (4,4%) aguardavam resultado laboratorial.

Entre os casos positivos registrados no ano, a distribuição dos vírus foi:

Vírus respiratórioProporção dos casos positivos
Influenza A15,7%
Influenza B5,5%
Vírus sincicial respiratório (VSR)39,1%
Rinovírus33,3%
Sars-CoV-2 (Covid-19)3,8%

A Fiocruz ressalta que os dados de positividade referentes às semanas mais recentes podem sofrer alterações significativas em atualizações posteriores, devido ao fluxo de notificações e à inclusão dos resultados laboratoriais.

Crianças pequenas e idosos estão entre os grupos mais afetados pela SRAG

A análise da incidência e da mortalidade nas últimas oito semanas epidemiológicas mostra que a Síndrome Respiratória Aguda Grave apresenta impactos diferentes conforme a faixa etária.

A incidência de SRAG é mais elevada entre crianças de até 2 anos, enquanto a mortalidade apresenta maior impacto na população com 65 anos ou mais.

Entre as crianças pequenas, a ocorrência de casos está associada principalmente ao rinovírus, ao vírus sincicial respiratório e ao metapneumovírus.

A pesquisadora Tatiana Portella também destaca que o rinovírus aparece como principal causa de mortalidade entre crianças de até 2 anos, conforme os dados apresentados no boletim.

Em relação à Covid-19, a incidência de SRAG permanece baixa em todas as faixas etárias.

Fiocruz reforça importância da vacinação contra a Covid-19

Apesar de os casos graves de Covid-19 permanecerem em níveis baixos no país, a Fiocruz reforça que os grupos prioritários devem verificar se estão com a vacinação atualizada.

A orientação destacada pela pesquisadora Tatiana Portella é especialmente importante para idosos e pessoas imunocomprometidas, que precisam receber doses de reforço a cada seis meses, conforme a recomendação mencionada no boletim.

O acompanhamento dos dados epidemiológicos e a vacinação dos grupos prioritários fazem parte das estratégias de prevenção e enfrentamento das infecções respiratórias.

O Boletim InfoGripe continua monitorando a circulação dos vírus respiratórios e a evolução dos casos graves em todo o país.


Por: www.acsace.com.br Fonte: Agência Fiocruz