Itália investiga pais após morte de criança não vacinada

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Imagem: Divulgação

Menina de quatro anos morreu de difteria; pais são investigados por homicídio culposo por omissão

O Ministério Público de Palermo, na Itália, investiga os pais de uma menina de quatro anos por homicídio culposo por omissão após a criança morrer de difteria. Segundo as autoridades, a menina não havia sido vacinada contra a doença.

A difteria é uma infecção grave causada por uma bactéria capaz de produzir toxinas que podem danificar órgãos e tecidos e, em casos graves, provocar a morte.

Na Itália, a vacinação contra a difteria é obrigatória. A exigência existe desde 1939 e foi reforçada posteriormente pela chamada Lei Lorenzin, aprovada em 2017.

O caso ganhou repercussão porque a morte ocorreu após um longo período de baixa circulação da doença no país. O último caso de difteria na Itália havia sido registrado em 1996, enquanto a última morte pela doença havia ocorrido em 1991.

Pais decidiram não vacinar os filhos

De acordo com informações divulgadas pela imprensa italiana, os pais teriam decidido não imunizar a menina e os três irmãos sob a alegação de que uma vacina teria sido responsável pelo diagnóstico de autismo de um familiar.

Após a morte da criança, as autoridades sanitárias determinaram a vacinação dos três irmãos.

O episódio também levou as autoridades a ampliar a investigação sobre a cobertura vacinal na região onde a família vivia.

Primo também foi diagnosticado com difteria

Um primo da menina também testou positivo para difteria neste sábado (22). A criança permanece internada no Hospital Cívico de Palermo, mas, segundo o diretor médico Domenico Cipolla, está fora de perigo e apresenta evolução favorável.

O menino havia recebido as três primeiras doses do esquema de vacinação, segundo as autoridades de saúde.

A situação fez as autoridades italianas reforçarem a vigilância epidemiológica e as medidas de prevenção na região.

Escolas e creches serão fiscalizadas

A Promotoria de Menores de Palermo abriu uma investigação sobre o nível de evasão da vacinação obrigatória na região de Expansione Nord (ZEN), bairro localizado na periferia da capital siciliana.

Também foi determinada uma inspeção urgente em creches e escolas de ensino fundamental para verificar se existem crianças não vacinadas frequentando as instituições de ensino.

A medida ocorre diante da preocupação com a possibilidade de circulação da bactéria e de novos casos entre crianças que não estejam adequadamente protegidas.

Não há evidência de relação entre vacinas e autismo

Após o caso, o Ministério da Saúde italiano voltou a afirmar que não existe evidência científica de que vacinas causem autismo.

A associação entre vacinação e autismo já foi amplamente investigada pela ciência e não é sustentada pelas evidências disponíveis. A vacinação continua sendo uma das principais estratégias de prevenção contra diversas doenças infecciosas graves.

Difteria: doença grave e prevenível

A difteria é transmitida principalmente por gotículas respiratórias e saliva de pessoas infectadas.

Entre os principais sintomas estão:

  • febre;
  • dor de garganta;
  • dificuldade para respirar;
  • inflamação dos gânglios;
  • formação de membranas ou secreções na garganta;
  • em casos graves, complicações sistêmicas e risco de morte.

A doença é provocada pela bactéria Corynebacterium diphtheriae, que pode produzir uma toxina responsável por lesões em diferentes órgãos.

Apenas cinco casos entre 1990 e 2009

Antes da ampla utilização da vacinação, a difteria representava um importante problema de saúde pública na Itália.

No início do século passado, eram registrados aproximadamente 30 mil casos de difteria infantil e 1.500 mortes por ano no país.

A introdução da vacinação provocou uma queda expressiva na ocorrência da doença. Entre 1990 e 2009, foram registrados apenas cinco casos na Itália, segundo os dados apresentados na reportagem.

A vacinação obrigatória foi estabelecida originalmente em 1939 para as crianças italianas.

Em 2017, a Lei Lorenzin ampliou e reforçou as exigências de vacinação, incluindo a difteria entre as 10 vacinas obrigatórias para a frequência escolar de menores de 16 anos.

Vacinação contra difteria no Brasil

No Brasil, a proteção contra a difteria faz parte do Calendário Nacional de Vacinação e está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A proteção é oferecida principalmente por meio da vacina pentavalente, que também protege contra:

  • tétano;
  • coqueluche;
  • hepatite B;
  • Haemophilus influenzae tipo b (Hib).

A vacinação adequada é fundamental para reduzir a circulação de doenças imunopreveníveis e proteger principalmente crianças e pessoas mais vulneráveis às complicações das infecções.



Por: www.acsace.com.br Fonte: IG