Agente Indígena de Saúde (AIS) e Saneamento (AISAN): PEC 14/2021 e Regulamentação

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Agente Indígena de Saúde (AIS) e Agentes Indígenas de Saneamento (AISAN): trajetória, desafios e reconhecimento no Brasil

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Breve Histórico e construção da atuação dos AIS

A existência do Agente Indígena de Saúde (AIS) como profissional de saúde e membro das equipes que atuam em contextos indígenas vem passando por distintos momentos ao longo das últimas quatro décadas. Além disso, essa atuação ocorre de formas diferentes nas diversas regiões do país.

Um elemento fundamental nessa trajetória foi a mobilização indígena pela participação tanto na área da saúde quanto da educação. O trabalho dos AIS vem sendo discutido em todas as Conferências Nacionais de Saúde Indígena, incluindo temas como critérios de seleção, indicação dos agentes pelas próprias comunidades, reconhecimento profissional e combate à precarização do trabalho.

Ao longo da década de 1980, universidades, organizações não governamentais e instituições religiosas iniciaram a capacitação de indígenas para atuação na atenção básica à saúde, em resposta à ausência de profissionais nas Terras Indígenas. No entanto, não havia diretrizes unificadas para essa formação, que variava entre regiões.

Criação do SasiSUS e consolidação dos AIS

Com a criação do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS), em 1999, os trabalhadores passaram a ser oficialmente denominados Agentes Indígenas de Saúde (AIS), conforme estabelecido na Lei Arouca.

O sistema passou a funcionar com base nos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) e nas Equipes Multidisciplinares de Saúde Indígena (EMSI), seguindo os princípios da Atenção Primária à Saúde.

A trajetória dos AIS é semelhante à dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS), cuja origem remonta à Conferência de Alma-Ata (1978), que destacou a importância dos agentes comunitários na promoção da saúde. No Brasil, os ACS foram incorporados ao Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) em 1992 e ao Programa Saúde da Família (PSF) em 1994.

Função estratégica na saúde indígena

Os Agentes Indígenas de Saúde desempenham papel essencial na articulação entre os conhecimentos tradicionais das comunidades e a medicina ocidental. Essa função é fundamental para garantir a chamada Atenção Diferenciada à Saúde Indígena, prevista na Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPI).

Entre suas atribuições estão:

  • Prevenção de doenças
  • Promoção da saúde
  • Primeiros socorros
  • Atuação comunitária respeitando cultura, língua e costumes locais

Já os Agentes Indígenas de Saneamento (AISAN) atuam diretamente no saneamento básico, monitorando abastecimento de água, esgotamento sanitário e manejo de resíduos.

Desafios na formação e valorização profissional

Apesar dos avanços, a categoria ainda enfrenta desafios importantes, como:

  • Falta de reconhecimento legal pleno
  • Contratações precárias
  • Baixa escolaridade em algumas regiões
  • Falta de capacitação contínua e estruturada
  • Ausência de preparo adequado de profissionais não indígenas para atuação em comunidades tradicionais

Historicamente, as capacitações foram irregulares, muitas vezes baseadas apenas em conhecimentos biomédicos, sem integração com os saberes indígenas.

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Divulgação Ministério da Saúde

Projeto de lei busca regulamentação da profissão

Um avanço recente é o Projeto de Lei nº 3.514/2019, que visa regulamentar as profissões de AIS e AISAN no âmbito do SasiSUS.

A proposta, criada por Joenia Wapichana e relatada por Juliana Cardoso, foi aprovada na Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados e segue para análise na Comissão de Trabalho.

O objetivo é garantir:

  • Reconhecimento profissional
  • Direitos trabalhistas
  • Melhores condições de trabalho
  • Equiparação salarial
  • Formação adequada

Atualmente, existem cerca de 4.508 AIS e 2.541 AISAN em atividade no Brasil, integrados ao sistema de saúde indígena.

Importância para o SUS e para as comunidades indígenas

O fortalecimento dos Agentes Indígenas de Saúde é estratégico para o Sistema Único de Saúde (SUS), pois amplia o acesso à saúde em territórios de difícil acesso e garante atendimento culturalmente adequado.

Além disso, esses profissionais:

  • Reduzem barreiras linguísticas e culturais
  • Facilitam o acesso da população indígena aos serviços de saúde
  • Contribuem para melhores indicadores de saúde nas comunidades

Perspectivas e avanços

O reconhecimento definitivo dos AIS e AISAN representa um passo essencial para consolidar políticas públicas voltadas à saúde indígena no Brasil.

A regulamentação da profissão pode não apenas valorizar esses trabalhadores, mas também fortalecer a qualidade da assistência prestada, garantindo mais eficiência, equidade e respeito às diversidades culturais no atendimento à população indígena.

Inclusão de AIS e AISAN na PEC 14/2021 fortalece equidade no SUS

A inclusão dos Agentes Indígenas de Saúde (AIS) e dos Agentes Indígenas de Saneamento (AISAN) na PEC 14/2021 representa um avanço significativo na valorização desses profissionais no Brasil.

A proposta foi defendida pelo deputado federal Geraldo Resende (PSDB/MS), durante os debates na Comissão Especial da Câmara dos Deputados. Na ocasião, o parlamentar solicitou formalmente a extensão dos direitos previstos na proposta também aos agentes indígenas, garantindo tratamento isonômico em relação aos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e aos Agentes de Combate às Endemias (ACE).

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Divulgação Ministério da Saúde

Mobilização fortaleceu a inclusão no texto

O tema ganhou força durante seminário realizado na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS), que reuniu agentes de saúde, parlamentares, lideranças sindicais e representantes da sociedade civil.

Durante o encontro, houve consenso sobre a importância de incluir os AIS e AISAN na proposta, reconhecendo a atuação essencial desses profissionais na promoção da saúde, prevenção de doenças e ações de saneamento básico, especialmente em comunidades indígenas e regiões de difícil acesso.

Reconhecimento do papel estratégico dos agentes indígenas

Os Agentes Indígenas de Saúde e os Agentes Indígenas de Saneamento desempenham funções fundamentais dentro do Sistema Único de Saúde (SUS), atuando diretamente junto às populações indígenas.

Entre suas principais contribuições estão:

  • Promoção da saúde nas comunidades
  • Prevenção de doenças
  • Atuação em saneamento básico
  • Mediação entre saberes tradicionais e a medicina convencional

A valorização desses profissionais é considerada uma medida essencial para fortalecer o SUS e garantir o respeito aos direitos das comunidades tradicionais.

Inclusão confirmada no texto final da PEC 14

A proposta de inclusão foi acatada e incorporada ao texto final da PEC 14/2021, consolidando um importante avanço legislativo.

Trecho incluído na proposta:

Art. 13. As regras constitucionais aplicáveis aos agentes comunitários de saúde e aos agentes de combate às endemias estendem-se aos agentes indígenas de saneamento e aos agentes indígenas de saúde. 

Impacto da medida

A inclusão dos AIS e AISAN na PEC 14 garante:

  • Equidade de direitos entre categorias
  • Valorização profissional
  • Fortalecimento da saúde indígena
  • Ampliação da proteção social desses trabalhadores

Além disso, a medida representa um passo importante na construção de políticas públicas mais inclusivas e no reconhecimento da importância dos profissionais que atuam diretamente nas comunidades indígenas.

Um avanço na justiça social e na saúde pública

A extensão dos benefícios da PEC 14/2021 aos agentes indígenas consolida um marco na luta por direitos e reconhecimento dessas categorias.

Trata-se de uma medida que vai além da valorização profissional: reforça o compromisso do Estado com a equidade, a dignidade e o fortalecimento da saúde pública em todo o país, especialmente para populações historicamente vulnerabilizadas.


Por: Redação www.acsace.com.br