Estudo revela violência enfrentada por agentes de saúde no Brasil

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Estudo analisa violência contra agentes comunitários de saúde no Brasil

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Pesquisa revela impactos da violência urbana e doméstica sobre ACS na Atenção Primária à Saúde

Um estudo sobre a violência vivenciada por agentes comunitários de saúde (ACS) em territórios vulneráveis do Nordeste brasileiro integrará a edição de maio da revista científica The Lancet Regional Health - Americas.

O artigo, intitulado Domestic and urban violence faced by community health workers, analisa a exposição à violência urbana e doméstica entre profissionais que atuam na Atenção Primária à Saúde (APS) em contextos marcados por desigualdade social e altos índices de violência.

Como foi realizado o estudo

A investigação analisou dados coletados em dois períodos:

  • 2021 (durante a pandemia de COVID-19)
  • 2023 (período pós-pandemia)

Ao todo, participaram:

  • 1.942 agentes comunitários na primeira etapa
  • 1.907 agentes na segunda

O estudo é fruto da rede Nós APS Brasil, com coordenação do pesquisador Sidney Farias, da Fiocruz Pernambuco.

A coordenação-geral é da pesquisadora Anya Vieira Meyer, vinculada à Fiocruz Ceará.

Onde a pesquisa foi realizada

O estudo abrangeu municípios do Nordeste, incluindo:

  • Fortaleza
  • João Pessoa
  • Recife
  • Teresina
  • Crato
  • Juazeiro do Norte
  • Barbalha
  • Sobral

O projeto contou com financiamento da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico, da Fiocruz e do Lemann Research Fund.

Violência como problema de saúde pública

Segundo os autores, a violência é um importante problema de saúde pública global, com impactos diretos na qualidade de vida e na organização das comunidades.

No Brasil, esse cenário é agravado por desigualdades estruturais, especialmente em áreas urbanas periféricas.

O papel dos agentes comunitários de saúde

Os ACS atuam na Estratégia Saúde da Família, considerada um dos pilares do Sistema Único de Saúde.

Por viverem nas mesmas comunidades onde trabalham, esses profissionais:

  • Criam vínculo direto com a população
  • Atuam como elo entre serviços de saúde e moradores
  • Identificam situações de risco social

No entanto, essa proximidade também aumenta a exposição à violência nos territórios.

Principais resultados do estudo

A pesquisa revelou diferenças importantes na forma como homens e mulheres vivenciam a violência:

  • Homens (ACS):
    • Maior exposição à violência urbana
    • Contato com armas, agressões e gangues
  • Mulheres (ACS):
    • Atuam como sentinelas da violência doméstica e sexual
    • Maior percepção desses casos no pós-pandemia

Segundo Sidney Farias:

“O estudo mostra que a violência nos territórios é múltipla e marcada por padrões diferentes entre homens e mulheres.”

Impactos da pandemia na identificação da violência

Durante a pandemia de COVID-19, medidas de isolamento social:

  • Reduziram as visitas domiciliares
  • Dificultaram o acompanhamento das famílias
  • Contribuíram para a subnotificação da violência doméstica

Com a retomada das atividades presenciais, os casos passaram a ser mais visíveis.

Desafios enfrentados pelos ACS

Mesmo sendo os primeiros a identificar situações de violência, os agentes comunitários de saúde enfrentam:

  • Falta de protocolos claros
  • Ausência de treinamento específico
  • Limitações nos mecanismos de apoio institucional

Isso compromete tanto a proteção dos profissionais quanto a resposta do sistema de saúde.

Importância da pesquisa para políticas públicas

Para Anya Vieira Meyer, compreender a violência sob a ótica dos ACS é essencial:

“A violência interfere diretamente na capacidade de cuidado.”

A pesquisadora destaca que os territórios com maior presença da Estratégia Saúde da Família são justamente os mais vulneráveis.

Sobre a rede Nós APS Brasil

A Nós APS Brasil foi criada em 2019, a partir da articulação entre:

  • Rede Nordeste de Formação em Saúde da Família
  • Rede Fiocruz Nordeste

O objetivo é aprofundar o conhecimento sobre a Atenção Primária à Saúde, analisando desafios e propondo soluções para o fortalecimento do SUS.


Por: Redação www.acsace.com.br Fonte: Agência Fiocruz