Ministério da Saúde inicia projeto-piloto com semaglutida no SUS para tratamento da obesidade
O Ministério da Saúde anunciou o início da utilização da semaglutida no SUS para pacientes com obesidade grave, por meio de um estudo que será desenvolvido no Grupo Hospitalar Conceição, no Rio Grande do Sul.
O objetivo é avaliar a efetividade, o impacto clínico, a segurança e o custo-benefício da utilização da semaglutida no tratamento da obesidade dentro da realidade do Sistema Único de Saúde (SUS).
O que é a semaglutida?
A semaglutida é o princípio ativo de medicamentos pertencentes à classe dos agonistas do receptor GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras.
Esses medicamentos auxiliam no controle do apetite, promovem maior sensação de saciedade e contribuem para a redução do peso corporal quando associados ao acompanhamento médico, alimentação saudável e prática de atividade física.
Como funcionará o projeto-piloto da semaglutida no SUS?
O projeto será desenvolvido durante dois anos e contemplará 250 pacientes atendidos pelo Grupo Hospitalar Conceição, referência nacional no tratamento da obesidade.
Durante o estudo, serão analisados diversos indicadores clínicos para verificar se a incorporação da semaglutida no SUS é viável.
Entre os principais indicadores avaliados estão:
- Percentual de perda de peso;
- Melhora da qualidade de vida;
- Resultados de exames laboratoriais;
- Evolução clínica dos pacientes;
- Condições após cirurgia bariátrica;
- Custos do tratamento para o SUS;
- Efetividade da terapia em ambiente de saúde pública.
Quem poderá participar do projeto?
A seleção contempla pacientes que já realizam acompanhamento especializado no Grupo Hospitalar Conceição.
Os principais critérios incluem:
- diagnóstico de obesidade há pelo menos 12 meses;
- obesidade grave ou associada a outras doenças, especialmente cardiovasculares;
- indicação para cirurgia bariátrica;
- falha comprovada do tratamento convencional, incluindo dieta e atividade física;
- capacidade de realizar a autoaplicação da medicação ou possuir cuidador responsável.
Segundo o Ministério da Saúde, aproximadamente 91% dos pacientes atendidos pela unidade apresentam obesidade mórbida, enquanto apenas 47% possuem condições clínicas para realizar cirurgia bariátrica. A hipertensão arterial é a comorbidade mais frequente nesse grupo.
Quem financiará o projeto?
A pesquisa será financiada por meio de recursos destinados à Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), provenientes de aporte financeiro da empresa fabricante da medicação.
O Ministério da Saúde destaca que o projeto possui caráter científico e tem como finalidade produzir evidências para subsidiar futuras decisões sobre políticas públicas relacionadas ao tratamento da obesidade.
A semaglutida já foi incorporada ao SUS?
Atualmente, a semaglutida ainda não faz parte da lista de medicamentos disponibilizados pelo SUS.
Em 2025, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) recomendou não incorporar a semaglutida e a liraglutida ao sistema público de saúde.
O principal motivo apontado foi o elevado impacto financeiro.
Segundo o Ministério da Saúde, caso esses medicamentos fossem incorporados nacionalmente, o custo estimado seria de aproximadamente R$ 8 bilhões por ano.
O projeto-piloto busca justamente produzir evidências sobre a relação entre custo, benefício e efetividade antes de uma eventual decisão definitiva.
Por que a obesidade é um desafio para o SUS?
A obesidade é considerada uma doença crônica que aumenta significativamente o risco de diversas enfermidades.
Entre elas destacam-se:
- Hipertensão arterial;
- Diabetes tipo 2;
- Doenças cardiovasculares;
- Apneia do sono;
- Alguns tipos de câncer;
- Limitações funcionais;
- Redução da qualidade de vida.
O fortalecimento das estratégias de prevenção, promoção da saúde e tratamento da obesidade representa uma das prioridades das políticas públicas voltadas à melhoria da qualidade de vida da população.
O que muda para os pacientes do SUS?
Neste momento, não haverá distribuição ampla da semaglutida na rede pública.
O medicamento será utilizado exclusivamente no âmbito do projeto-piloto para geração de evidências científicas.
Somente após a conclusão dos estudos e análise dos resultados será possível avaliar uma eventual ampliação do acesso ao tratamento pelo SUS.
Perguntas Frequentes
A semaglutida já está disponível para todos os pacientes do SUS?
Não. Neste momento, o medicamento será utilizado apenas em um projeto-piloto com 250 pacientes no Rio Grande do Sul.
Quem poderá receber a semaglutida?
Pacientes acompanhados pelo Grupo Hospitalar Conceição que atendam aos critérios definidos pelo Ministério da Saúde.
Por que o SUS ainda não oferece a semaglutida?
Porque a Conitec recomendou a não incorporação do medicamento devido ao elevado impacto financeiro estimado em aproximadamente R$ 8 bilhões anuais.
Qual é o objetivo do projeto-piloto?
Avaliar a efetividade clínica, os custos, a segurança e os benefícios da utilização da semaglutida no tratamento da obesidade no SUS.
Quanto tempo durará o estudo?
O acompanhamento dos pacientes será realizado durante dois anos.
Por: www.acsace.com.br Fonte: Minsitério da Sáude

