Butantan-DV - Vacina brasileira contra dengue mantém eficácia por até 5 anos

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Vacina brasileira contra dengue mantém eficácia por até 5 anos, aponta estudo do Butantan

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Fotos: José Felipe Batista

Um estudo do Instituto Butantan revelou que a vacina brasileira contra a dengue mantém eficácia por pelo menos cinco anos após a aplicação.

O imunizante Butantan-DV apresentou 80,5% de proteção contra casos graves da doença ou infecções com sinais de alerta, segundo pesquisa publicada na revista científica Nature Medicine.

A vacina foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária em novembro de 2025 e começou a ser aplicada em profissionais de saúde e em projetos de vacinação no país.

Estudo confirma proteção contra casos graves de dengue

De acordo com o estudo, nenhuma pessoa vacinada apresentou dengue grave ou precisou de hospitalização ao longo dos cinco anos de acompanhamento.

Com isso, a eficácia do imunizante contra formas graves da doença ficou em 80,5%.

A diretora médica do Instituto Butantan, Fernanda Boulos, destacou que o resultado confirma a eficácia da vacina e reforça a importância do esquema de dose única.

“Vacinas que precisam de duas ou mais doses muitas vezes não têm o esquema completo seguido pela população. Demonstrar que uma única dose mantém proteção elevada é muito importante”, afirmou.

Segundo ela, o acompanhamento continuará para verificar se será necessário reforço após 10 ou 20 anos.

Vacina de dose única é a primeira contra dengue

A vacina Butantan-DV é considerada a primeira do mundo contra a dengue aplicada em dose única.

Essa característica pode facilitar campanhas de vacinação e ampliar a cobertura da população.

Entre as vantagens do esquema estão:

➤ maior adesão da população
➤ logística mais simples nas campanhas
➤ proteção mais rápida em larga escala

Eficácia geral da vacina chega a 65%

Embora a eficácia contra casos graves tenha sido elevada, o índice de proteção contra dengue sintomática em geral foi de 65%.

Os resultados também indicaram diferença conforme o histórico da doença:

77,1% de eficácia em pessoas que já tiveram dengue
➤ eficácia menor entre quem nunca teve contato com o vírus

Segundo especialistas, isso ocorre porque o sistema imunológico responde de forma mais intensa quando já houve exposição prévia ao vírus.

Resultados variam conforme faixa etária

O estudo também apontou variações de eficácia de acordo com a idade.

A proteção foi maior entre adultos e adolescentes e um pouco menor entre crianças.

Por esse motivo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou a vacina apenas para pessoas entre:

12 e 59 anos

Apesar disso, o imunizante foi testado em crianças a partir de 2 anos de idade.

Novos estudos em crianças e idosos

O Instituto Butantan pretende ampliar os estudos para avaliar a eficácia da vacina em outros grupos.

Entre os próximos passos estão:

➤ novo estudo clínico em crianças
➤ testes para avaliar resposta imunológica em idosos

Segundo Fernanda Boulos, o envelhecimento do sistema imunológico pode influenciar na resposta à vacina.

“É importante entender se os idosos têm a mesma capacidade de gerar resposta imune com o imunizante”, explicou.

Estudo acompanhou mais de 16 mil participantes

A pesquisa acompanhou mais de 16 mil voluntários.

A divisão ocorreu da seguinte forma:

➤ cerca de 10 mil receberam a vacina
➤ quase 6 mil receberam placebo

Os resultados confirmaram que o imunizante apresentou boa tolerabilidade e segurança a longo prazo, sem preocupações relevantes registradas.

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Vacina pode fortalecer o SUS e ampliar exportações

O diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações, Juarez Cunha, afirmou que o desenvolvimento da vacina representa um avanço estratégico para o país.

Segundo ele, a produção nacional pode:

➤ fortalecer o Sistema Único de Saúde
➤ facilitar o abastecimento do Programa Nacional de Imunizações
➤ ampliar a cooperação com outros países

O Instituto Butantan informou que a prioridade é atender a demanda do SUS, mas que futuramente pode negociar doses com países da América Latina, região frequentemente afetada por epidemias de dengue.


Por: Redação www.acsace.com.br Fonte: Agência Brasil