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Vacina brasileira contra dengue mantém eficácia por até 5 anos, aponta estudo do Butantan
Um estudo do Instituto Butantan revelou que a vacina brasileira contra a dengue mantém eficácia por pelo menos cinco anos após a aplicação.
O imunizante Butantan-DV apresentou 80,5% de proteção contra casos graves da doença ou infecções com sinais de alerta, segundo pesquisa publicada na revista científica Nature Medicine.
A vacina foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária em novembro de 2025 e começou a ser aplicada em profissionais de saúde e em projetos de vacinação no país.
Estudo confirma proteção contra casos graves de dengue
De acordo com o estudo, nenhuma pessoa vacinada apresentou dengue grave ou precisou de hospitalização ao longo dos cinco anos de acompanhamento.
Com isso, a eficácia do imunizante contra formas graves da doença ficou em 80,5%.
A diretora médica do Instituto Butantan, Fernanda Boulos, destacou que o resultado confirma a eficácia da vacina e reforça a importância do esquema de dose única.
“Vacinas que precisam de duas ou mais doses muitas vezes não têm o esquema completo seguido pela população. Demonstrar que uma única dose mantém proteção elevada é muito importante”, afirmou.
Segundo ela, o acompanhamento continuará para verificar se será necessário reforço após 10 ou 20 anos.
Vacina de dose única é a primeira contra dengue
A vacina Butantan-DV é considerada a primeira do mundo contra a dengue aplicada em dose única.
Essa característica pode facilitar campanhas de vacinação e ampliar a cobertura da população.
Entre as vantagens do esquema estão:
➤ maior adesão da população
➤ logística mais simples nas campanhas
➤ proteção mais rápida em larga escala
Eficácia geral da vacina chega a 65%
Embora a eficácia contra casos graves tenha sido elevada, o índice de proteção contra dengue sintomática em geral foi de 65%.
Os resultados também indicaram diferença conforme o histórico da doença:
➤ 77,1% de eficácia em pessoas que já tiveram dengue
➤ eficácia menor entre quem nunca teve contato com o vírus
Segundo especialistas, isso ocorre porque o sistema imunológico responde de forma mais intensa quando já houve exposição prévia ao vírus.
Resultados variam conforme faixa etária
O estudo também apontou variações de eficácia de acordo com a idade.
A proteção foi maior entre adultos e adolescentes e um pouco menor entre crianças.
Por esse motivo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou a vacina apenas para pessoas entre:
➤ 12 e 59 anos
Apesar disso, o imunizante foi testado em crianças a partir de 2 anos de idade.
Novos estudos em crianças e idosos
O Instituto Butantan pretende ampliar os estudos para avaliar a eficácia da vacina em outros grupos.
Entre os próximos passos estão:
➤ novo estudo clínico em crianças
➤ testes para avaliar resposta imunológica em idosos
Segundo Fernanda Boulos, o envelhecimento do sistema imunológico pode influenciar na resposta à vacina.
“É importante entender se os idosos têm a mesma capacidade de gerar resposta imune com o imunizante”, explicou.
Estudo acompanhou mais de 16 mil participantes
A pesquisa acompanhou mais de 16 mil voluntários.
A divisão ocorreu da seguinte forma:
➤ cerca de 10 mil receberam a vacina
➤ quase 6 mil receberam placebo
Os resultados confirmaram que o imunizante apresentou boa tolerabilidade e segurança a longo prazo, sem preocupações relevantes registradas.
Vacina pode fortalecer o SUS e ampliar exportações
O diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações, Juarez Cunha, afirmou que o desenvolvimento da vacina representa um avanço estratégico para o país.
Segundo ele, a produção nacional pode:
➤ fortalecer o Sistema Único de Saúde
➤ facilitar o abastecimento do Programa Nacional de Imunizações
➤ ampliar a cooperação com outros países
O Instituto Butantan informou que a prioridade é atender a demanda do SUS, mas que futuramente pode negociar doses com países da América Latina, região frequentemente afetada por epidemias de dengue.

